quarta-feira, outubro 10, 2012

BULLYING


1) O que é bullying?
O termo deriva das seguintes palavras de língua inglesa: bull = touro, de onde deriva bully = valentão. Na sua origem, portanto, bullying traz a ideia de alguém mais forte (valentão) que oprime um mais fraco. Alguns autores utilizam a palavra "intimidação" para referir-se ao bullying em português. De maneira mais precisa, podemos definir bullying da seguinte forma:

O bullying ou intimidação é um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos (+ fortes) contra outro(s) (+ fracos), causando dor, angústia e sofrimento. É um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição, pública ou privada, rural ou urbana.

Os primeiros estudos sobre Bullying foram realizadas por Dan Olweus, da Universidad de Bergen - Noruega (1978 a1993).

Com relação ao bulllying, os alunos podem ser:
. Alvos de bullying - são aqueles que só sofrem;
. Alvos/autores de bullying - são aqueles que ora sofrem, ora praticam Bullying;
. Autores de bullying - são os alunos que só praticam Bullying;
. Testemunhas de bullying - são alunos que não sofrem nem praticam o bullying, mas convivem em um ambiente onde isso ocorre.

2) O bullying existe só na escola?
O termo bullying é utilizado especificamente para o contexto escolar. No entanto, a lógica fundamental do fenômeno (mais forte oprimindo mais fraco) pode ocorrer em qualquer organização com caráter coletivo. O assédio moral nas empresas é um exemplo: alguém numa posição de poder (+ forte, neste sentido) procurar humilhar ou intimidar alguém numa posição subalterna.

3) O que não é bullying?
A definição de bullying é bem restrita e devemos tomar cuidado para não banalizar o seu uso. Conforme a definição, o bullyng envolve os seguintes elementos:
1) Ocorre na escola;
2) Há um + forte oprimindo um + fraco;
3) Utiliza-se violência física e/ou psicológica;
4) É intencional;
5) É repetitivo e contínuo;
6) Causa dor e sofrimento na vítima;
7) Não há uma razão aparente para acontecer.

Desta forma, não se trata de bullying:
. Conflitos e brigas (há um motivo, não é repetitivo);
. "Provocador" sofrendo retaliação (há um motivo);
. Rituais de iniciação (dá-se apenas pelo período de integração a um grupo novo).

4) O bullying está aumentando?
Ainda não há registro de pesquisas comparativas sobre bullying. Encontramos os seguintes números (CARVALHOSA, 2001):

Pesquisas internacionais:
. 15% dos estudantes dizem ter sofrido bullying;
. Maior prevalência em meninos (4x);
. Alunos mais novos e de menor escolaridade são vítimas mais freqüentes.

Pesquisas nacionais:
. Alvos de Bullying 16,9%;
. Alvos/Autores de Bullying 10,9%;
. Autores de Bullying 12,7%;
. Testemunhas de Bullying 57,5%.

Locais de onde ocorre o Bullying:
. Sala de aula 60,2%;
. Recreio 16,1%;
. Portão 15,9%;
. Corredores 7,8%.

Agressões mais comuns:

Geral
Masculino
Feminino
Apelidar
54,2%
50,4%
64,0%
Agredir
16,1%
27,2%
7,9%
Difamar
11,8%
6,4%
12,3%
Ameaçar
8,5%
8,9%
7,8%
Pegar/Quebrar pertences
4,7%
2,2%
4,2%
Excluir
2,5%
1,8%
2,0%
Outros
2,0%
2,3%
1,5%
Não Opinou
0,2%
0,8%
0,3%
Total
100%
100%
100%

5) Dinâmica psicológica do bullying: a vítima.
Normalmente, a vítima de bullying é um adolescente que têm uma auto-estima frágil, o que o coloca numa situação vulnerável. Algumas pessoas com esse perfil tendem a se isolar ou cultivam um grupo de amigos bem restrito. Mais isolado, o adolescente fica menos protegido e mais exposto a possíveis "valentões". Se um aluno mais forte e intimidador encontrar um indivíduo vulnerável, pode começar a agredi-lo por saber que não terá coragem de reagir nem contar para ninguém. A vítima de bullying começa a viver com medo de novas retaliações e começa cultivar um ódio grande contra os agressores. Sente vontade de reagir e se vingar, mas ao mesmo tempo sente medo. Guardando apenas para si o ódio, o medo, a ansiedade, pode ter problemas somáticos e/ou escolares, o que agrava ainda mais sua auto-estima, acabando por fechar um ciclo vicioso de sofrimento.

Na maioria dos casos, o bullying é interrompido de uma forma ou outra. A vítima pode mudar de escola, o agressor pode mudar de escola ou a vítima pode conseguir contar o caso para um amigo ou professor de confiança. Porém, em alguns casos, o ciclo pode continuar por meses ou até anos a fio, e a vítima acaba ficando com a auto-estima tão prejudicada e guardando um ódio e sede de vingança tão grandes que pode chegar a cometer algum ato de violência mais grave, como alguns casos de adolescentes que assassinaram colegas e/ou professores e deram cabo da própria vida.

É importante ressaltar que a vítima costuma apresentar um perfil "vulnerável" para certos agressores, o que não é a mesma coisa que dizer que a vítima é culpada pelo que lhe acontece. A sua vulnerabilidade está especialmente ligada à sua fragilidade e dificuldade de reagir. Mas a vítima não provoca, agride ou ofende o agressor. É o que muitos chamam de violência gratuita... porém isso também não significa que não há uma razão que explique esta violência... esta razão existe e só conseguimos entendê-la do ponto de vista do agressor.

6) Dinâmica psicológica do bullying: o agressor.
Se a vítima tem uma auto-estima baixa, o agressor deve ter uma auto-estima inflada demais, certo? Errado! Na verdade, o agressor também apresenta na sua estrutura de personalidade uma auto-estima baixa! No entanto, em vez de se isolar (em função da personalidade) o agressor tende a querer compensar essa auto-estima ruim realizando comportamentos de auto-afirmação, ou seja, comportamentos com o propósito de provar para os outros o quanto ele é uma pessoa de valor (e isso só acontece em função de sua insegurança com relação a si mesmo). Para poder se auto-afirmar, o agressor anda em grupo, pois precisa de uma platéia para ver e aplaudir seus feitos. Ele procura criar uma identidade de valentão, durão... Para criar esta identidade ele precisa exercer o poder e a intimidação sobre alguém e esse alguém precisa ser mais fraco para garantir suas vitórias. Quando agride a vítima e obtém vitórias sua popularidade aumenta perante seu grupo gerando nele uma falsa imagem de "bonzão", ou seja, de que é melhor (mais poderoso ou corajoso) do que realmente é. Essa falsa imagem tende a encobrir sua débil auto-estima, alimentando uma crescente (e ilusória) sensação de poder. Esse ciclo vicioso pode ser (e normalmente é) interrompido a qualquer momento, porém, se continuar, os riscos para a vítima podem ser muito grandes uma vez que o agressor pode aumentar e piorar seus métodos para causar mais dor e sofrimento.
O agressor, portanto, não pode ser visto apenas como um "menino malvado" que precisa ser punido, mas também como alguém que precisa de algum tratamento e de limites muito firmes. É óbvio que a vítima sofre muito mais e precisa de muito mais cuidado que o agressor, porém é importante ressaltar que a princípio o bullying não é caso de polícia, mas de educação.

7) Como lidar com o bullying?

7.1. Observar sinais:
O quadro a seguir contém um esquema básico para prevenir e lidar com o bullying na escola. Importante que a escola invista sempre em prevenção e que os profissionais sejam orientados a observar sinais de bullying, já que as vítimas não costumam falar. São comportamentos freqüentes em vítimas de Bullying:
. Revelar medo de ir ou voltar à escola;
. Voltar da escola, repetidamente, com roupas ou livros rasgados;
. Chegar em casa muitas vezes com machucados inexplicáveis;
. "Perder", repetidas vezes, seus, pertences, seu dinheiro;
. Evitar falar sobre o que está acontecendo, ou dar desculpas pouco convincentes para tudo.

7.2. Prevenir:
. Discussões abertas sobre o assunto;
. Reflexões baseadas em filmes e teatros sobre o tema;
. Caixas de sugestão que permitam denúncias anônimas.

7.3. Apoio à vítima:
. Sigilo;
. Grupos de apoio;
. Reforço da auto-estima.

7.4. Apoio ao agressor:
. Sigilo;
. Limites firmes e claros;
. Alternativas de expressão.
. Quebra da popularidade.

8) Filmes recomendados sobre o assunto:
Adultos / Adolescentes:
. Bang Bang, você morreu;
. Garotas malvadas;
. Nunca fui beijada;
. Carrie, a estranha;
. Raízes do mal;
. Um grande garoto;
. Tiros em Columbine;
. Forest Gump;
. O senhor das moscas.

Crianças:
. Ponte para Terabítia;
. Grinch;
. Happy Feet, o pingüim;
. A casa monstro;
. Lucas, um intruso no formigueiro.

9) Anexos.

a) Depoimento de revista:

Depoimento






















b) Trecho do filme Um Grande Garoto:

- Oi Nick, Oi Mark, vão ao clube de computadores mais tarde?
- Marcus nós não queremos mais que ande conosco.
- Por quê?
- Por causa deles.
- Eles não têm nada a ver comigo.
- Têm , sim.
- Não tínhamos problemas antes de andarmos com você. Agora temos todo dia.
- Além do mais, todos acham você esquisito.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHOSA, S. F; LIMA, L; MATOS, M. G. Bullying - A provocação/vitimação entre pares no contexto escolar português. Análise Psicológica, 4 (XIX): 523-537, 2001.

NETO, A. L.; SAAVEDRA, L. H. Diga não ao bullying. Rio de Janeiro: ABRAPIA, 2003.



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