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segunda-feira, abril 28, 2014

DISCALCULIA - SUGESTÕES DE INTERVENÇÕES PSICOPEDAGÓGICAS

Atividades para desenvolver a competência de classificação

- Peça ao aluno que classifique objetos em grupos. Pergunte depois que regras utilizou para classificar.
- Entregue ao aluno uma caixinha de ovos vazia e uma caixa que contenha objetos pequenos. Peça que classifique os objetos de acordo com alguma propriedade, por exemplo, cor. Em seguida peça a ele que pense em outras formas de classificar os objetos, por exemplo: tamanho, textura, etc.
- Utilizando variedade de objetos, pedir que  faça um grupo.
Por exemplo. A professora ou outros colegas adivinharão as propriedades dos objetos pertencentes a esse grupo. Por exemplo: figuras geométricas de diferentes tamanhos, cores e formas, etc.
- Utilizar cartões com imagens de alimentos, plantas, brinquedos, pessoas, para fazer diferentes classificações.


        Atividades para desenvolver a seriação

- Entregar ao aluno alguns objetos de diferentes comprimentos e pedir que os coloque em ordem a partir do mais curto até o mais longo.
- Colocar alguns copos com água em diferentes níveis e pedir à criança que os ordene. Em seguida pedir-lhe que explique sua forma de ordenamento.  
  

Jogo dos Cubos e das Garrafas: inicie o jogo entregando para  as crianças garrafas de plásticos de tamanhos bem diferentes  e alguns cubos de madeira coloridos para que ela enfileire os  objetos sem observar regras. Depois peça que elas separem  as garrafas por critérios estabelecidos pelo professor como:  os maiores dos menores, os de plástico e os de madeira, por  cores e também por critérios estabelecidos pelos alunos.
Essa atividade pode ser registrada pela criança por meio  de desenhos. O objetivo é verificar a noção de tamanho, a  percepção espacial e a atenção da criança.

-Jogo das garrafas coloridas: selecionam-se oito garrafas de  plástico com alturas diferentes. A criança deve ordenar as  garrafas agrupando as de tamanhos quase iguais ou diferentes.
Elas também podem ordená-las em fileiras, da menor para a  maior e da maior para a menor. O objetivo dessa atividade  é verificar as noções de tamanho (maior/menor), estimular a  coordenação motora e a contagem.

Jogo de Dominó: colocamos à disposição da criança um  jogo de dominó para ela ordenar as peças de acordo com a  numeração de bolinhas contidas nas extremidades, utilizando  as regras do dominó. À medida que é apresentada uma peça,  o aluno deve colocar a correspondente.
Esta atividade visa desenvolver a percepção do sistema de numeração e estimular  a associabilidade, a noção de sequência e a contagem. Uma  variação do jogo é o dominó dos pares. Neste jogo a soma  das peças deve ser um número par. A atividade permite que  o aluno explore a relação entre a soma de números pares. Ou  seja, é possível explorar com os alunos que a soma de dois  números pares é um número par; a soma de dois números  ímpares é um número par; a soma de um número par e um  número ímpar é um número ímpar. Também é possível jogar o dominó dos ímpares, no qual a soma das peças deve ser um  número ímpar e as observações anteriores se repetem.

Botões matemáticos: separam-se botões de várias cores  e tamanhos. A criança é orientada a separar botões por  tamanhos, na quantidade solicitada, utilizando barbante e  folha de papel. O objetivo dessa atividade é desenvolver a  habilidade de compreensão de sistemas de numeração, a  coordenação motora e a orientação espacial. Também pode  ser proposto que o aluno explique os critérios adotados por  ele e justifique o seu raciocínio.

Desenvolvimento de trabalho com:

Jogo da memória – motricidade fina, memória, hipótese,  cores e estratégias.
Resta um – formas, regras e estratégias.
Quebra-cabeça – motricidade fina e memória, formas,  hipótese, cores, análise-síntese, figura-fundo e estratégias.
Arquiteto – planejamento, equilíbrio, motricidade fina e  estratégias.
Cilada – percepção de formas, encaixe, motricidade fina, organização, plano mental, projeto e criatividade.
Tangran – formas geométricas, buscas de solução, percepção  de figura e formas, hipótese, paciência, regras, motricidade fina e representação mental.
Material dourado – trabalhar o sistema de numeração decimal.


Referenciais Bibliográficos:

CARRAHER, Terezinha Nunes (Org.). Aprender Pensando. Petrópolis, Vozes, 2002.
GARCÍA, J. N. Manual de Dificuldades de Aprendizagem. Porto Alegre, ArtMed, 1998 
JOSÉ, Elisabete da Assunção, Coelho, Maria Teresa. Problemas de aprendizagem. São Paulo, Ática, 2002.
RISÉRIO, Taya Soledad. Definição dos transtornos de aprendizagem. Programa de (re) habilitação cognitiva e novas tecnologias da inteligência. 2003.
http://www.dislexia.org.br/abd/noticias/abdemfoco/024-jul09.html
http://www.brasilescola.com/doenças/discalculia.htm

FONTE: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/09/discalculia-dicas-para-sala-de-aula.html

sexta-feira, março 07, 2014

Atividades - DISCALCULIA

Atividades referentes à Discalculia

Alguns exemplos* de atividades a serem desenvolvidas com crianças que apresentem discalculia.








* Retirados do livro 'Dificuldades de aprendizagem específicas' de Diana Tereso Coelho

quinta-feira, março 28, 2013

COMO DIAGNOSTICAR, TRATAR A DISCALCULIA


A Discalculia não têm especificamente uma única causa, mas um conjunto delas que se relacionados a fatores internos e externos do sujeito é possível diagnosticá-la com sucesso e determinar seu tipo. Como todo distúrbio de aprendizagem, o processo de diagnóstico da discalculia requer observação minuciosa e atenção aos sintomas e fatores contribuintes.  Fatores internos e externos: Memória, atenção, percepção-motora, organização espacial, habilidade verbal, falta de consciência, falhas estratégicas, dificuldades em operacionalizar funções matemáticas simples, maneiras de se ensinar e aprender as habilidades aritméticas, ambiente de estudo e familiar, entre outros.
Uma observação importante feita por Silva (p. 24) é a de que o portador de discalculia escreve pouco por medo de errar, suas respostas são geralmente monossilábicas e dificilmente se expõe em atividades em grupo. Durante as sessões de diagnóstico de uma pessoa com suspeita de Discalculia é importante ficar atento aos sintomas e investigar seu histórico. 

Um discalcúlico apresenta:

  • Lentidão extrema na realização das atividades aritméticas;
  • Dificuldades de orientação espacial;
  • Dificuldades para lidar com operações matemáticas (adição, divisão, subtração, multiplicação);
  • Dificuldade de memória de curto e longo prazo; 
  • Dificuldades em seguir ordens  ou informações simultaneamente;
  • Problemas com a coordenação motora fina, ampla e perceptivo-tátil;
  • Dificuldades em armazenar informações;
  • Confusões com símbolos matemáticos;
  • Dificuldades para entender o vocabulário que define operações matemáticas;
  • Dificuldades com a sequenciação numérica (antecessor/sucessor);
  • Problemas relativos à Dislexia (processamento de linguagem);
  • Incapacidade para montar operações;
  • Ausência de problemas fonológicos;
  • Dificuldades em estabelecer correspondência quantitativa (ex: relacionar números de carteiras com números de aluno);
  • Dificuldades em relacionar grafemas matemáticos às respectivas quantidades;
  • Dificuldades em relacionar grafemas matemáticos ao seus símbolos auditivos;
  • Dificuldades com a contagem através de cardinais e ordinais;
  • Problemas em visualizar um conjunto dentro de um conjunto maior;
  • Dificuldades com a conservação de quantidades (ex: 1 lt é o mesmo que 4 copos de 250 ml); Dificuldades com princípios de medida. 

O sujeito discalcúlico pode não apresentar todos estes fatores, mas a maioria com certeza se caracterizará, e é possível, também, que ele apresente outros novos, pois cada indivíduo é único e traz consigo histórias de vida diferentes. Outro aspecto a se levar em conta é que alguns discalcúlicos têm o seu raciocínio lógico intacto, porém têm extrema dificuldade em lidar com números, símbolos e fórmulas matemáticas. Outros, de acordo com Sacramento (2008 np), serão completamente capazes de solucionar representações simbólicas como 3+4=7, mas incapazes de resolver "João tinha três reais e ganhou mais quatro. Quantos reais ele tem ao todo?".  


COMO TRATAR E AUXILIAR O DISCALCÚLICO.

Por ser um transtorno  psico-neurológico, de ordem congênita ou adquirida, seus sintomas, apesar de contornáveis, serão sempre uma  constante. O tratamento, portanto, terá a característica de um treinamento que visa amenizar os sintomas, corrigir os fatores contribuintes e resgatar a autoestima do paciente para que este tenha uma melhor qualidade de vida e autonomia para elaborar estratégias que viabilizem seu sucesso em tarefas que, outrora, lhe eram praticamente impossíveis de realizar. A recuperação de um discalcúlico é geralmente bem-sucedida quando aplicada passo a passo, respeitando o nível em que cada paciente se encontra e avançando gradativamente de acordo com seu ritmo. Cawley e Vitello (1972, apud GALLAGHER e KIRK, 1999) desenvolveram um modelo para o ensino da matemática onde há a interação aluno-professor dentro de uma unidade conceitual utilizando estilos de aprendizagem e fatores que a influenciam fazendo do aprendiz um operante. Contemporaneamente, Cawley e Goodstein (1972, apud GALLAGHER e KIRK, 1999) desenvolveram materiais que implementam o ensino e treinamento da matemática. Estes são chamados, segundo Gallagher (1999), de "o sistema de Cawley e Goodstein e os materiais de Montessori".
O ensino da matemática se trata de construir estruturas básicas de interação, classificação, correspondências, grupos etc., ou seja, o saber matemática vai além de ensinar cálculos (LIMA, 2000, apud SILVA, 2008). Como o lúdico é considerado um promotor de aprendizagem e construção de saber, também é visto como um mecanismo psicológico e pedagógico que contribui para o desenvolvimento mental e como um aliado na aquisição de estruturas psiconeurológicas essenciais para a cognição.
As atividades lúdicas devem ser valorizadas por que delas é possível desenvolver estratégias para a solução de problemas. Para os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais) os jogos
[...] constituem uma forma interessante de propor problemas, pois permitem que estes sejam apresentados de modo interativo e favorecem a criatividade na elaboração de estratégias de resolução de problemas e busca de soluções. Propiciam a simulação de situações-problema que exigem soluções vivas e imediatas, o que estimula o planejamento das ações
[...] podem contribuir para um trabalho de formação de atitudes - enfrentar desafios, lançar-se a busca de soluções, desenvolvimento da crítica, da intuição, da criação de estratégias e da possibilidade de alterá-las quando o resultado não é satisfatório necessárias para a aprendizagem da Matemática (BRASIL, 1998, p. 46-47 apud SILVA, 2008, p. 29).
É notável a importância dada a "situações-problemas" que promovem estratégias criativas de resolução. Dante (1989, apud SILVA, 2008) apresenta um modelo de resolução de problemas por quatro etapas onde é preciso:
1.    Compreender o problema (análise do enunciado);
2.    Elaborar um plano (organizar os dados e se basear em experiências anteriores);
3.    Executar o plano elaborado (experimentar o plano);
4.    Examinar a solução encontrada (checar os resultados). 

A utilização de jogos como o Tangram, Trimu, Matix, Palitos, entre outros são sugestões de atividades promotoras de situações-problemas que podem ser utilizadas no tratamento clínico, pedagógico e na interação familiar do discalcúlico.

A dificuldade em se encontrar informações a respeito da discalculia, disgrafia e, principalmente, da disortografia, nos revela certo paradoxo. De acordo com o CID-10, esses três distúrbios estão entre os mais comuns e incidentes já registrados, ficando atrás apenas da Dislexia e do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). 



quarta-feira, março 20, 2013

Discalculia, sintomas, causas e tratamento


Segundo a Associação Americana de Psiquiatria, a discalculia é uma dificuldade de aprendizagem relacionada à matemática.

A discalculia é um problema causado por má formação neurológica que se manifesta como uma dificuldade no aprendizado dos números. Essa dificuldade de aprendizagem não é causada por deficiência mental, má escolarização, déficits visuais ou auditivos, e não tem nenhuma ligação com níveis de QI e inteligência.

Crianças portadoras de discalculia são incapazes de identificar sinais matemáticos, montar operações, classificar números, entender princípios de medida, seguir sequências, compreender conceitos matemáticos, relacionar o valor de moedas entre outros.

Ladislav Kosc descreveu seis tipos de discalculia: a discalculia léxica, discalculia verbal, discalculia gráfica, discalculia operacional, discalculia practognóstica e discalculia ideognóstica.

Discalculia léxica: dificuldade na leitura de símbolos matemáticos;
Discalculia verbal: dificuldades em nomear quantidades matemáticas, números, termos e símbolos;
Discalculia gráfica: dificuldade na escrita de símbolos matemáticos;
Discalculia operacional: dificuldade na execução de operações e cálculos numéricos;
Discalculia practognóstica: dificuldade na enumeração, manipulação e comparação de objetos reais ou em imagens;
Discalculia ideognóstica: dificuldades nas operações mentais e no entendimento de conceitos matemáticos.

Para que o professor consiga detectar a discalculia em seu aluno é imprescindível que ele esteja atento à trajetória da aprendizagem desse aluno, principalmente quando ele apresentar símbolos matemáticos malformados, demonstrar incapacidade de operar com quantidades numéricas, não reconhecer os sinais das operações, apresentar dificuldades na leitura de números e não conseguir localizar espacialmente a multiplicação e a divisão. Caso o transtorno não seja reconhecido a tempo, pode comprometer o desenvolvimento escolar da criança, que com medo de enfrentar novas experiências de aprendizagem adota comportamentos inadequados, tornando-se agressiva, apática ou desinteressada.

O psicopedagogo é o profissional indicado no tratamento da discalculia, que é feito em parceria com a escola onde a criança estuda. Geralmente os professores desenvolvem atividades específicas com esse aluno, sem isolá-lo do restante da turma.


Por Paula Louredo

segunda-feira, julho 02, 2012

Saiba um pouco mais sobre a DISCALCULIA

DISCALCULIA
Embora o aprendizado da matemática possa sofrer interferência por várias razões, como o ensino deficiente de algumas escolas ou graves problema psiquiátricos, o que a ciência cognitiva tem comprovado nos últimos anos é que o principal motivo que leva uma criança a ter dificuldade para aprender matemática são alguns déficits cognitivos.
Ao contrário da dislexia, os estudos na discalculia ainda estão incipientes e muita coisa ainda temos que descobrir.
A região cerebral mais importante para as habilidades matemáticas é o lobo parietal. Porém, muitas áreas cerebrais estão envolvidas e necessitam estar em perfeito funcionamento para o bom desempenho em matemática. Isto siginifica que fazer cálculos, aprender a tabuada e entender as histórias matemáticas dependem de várias funções mentais que precisam estar íntegras. Enquanto na leitura a linguagem é a principal função cognitiva envolvida, na matemática muitas funções agem conjuntamente e o comprometimento de um delas já pode trazer problemas no aprendizado. Daí a necessidade de uma avaliação neurocognitiva detalhada no estudo de crianças com discalculia.
SINTA COMO É SER PORTADOR DA DISCALCULIA.
Vamos nos colocarmos na pele de uma criança com discalculia para que deixemos de julgá-la e possamos entender e sentir o que ocorre com ela:
Vamos supor que você goste de fazer cálculos de matemática. Subitamente surge uma nova regra, agora a velha e conhecida tabuada muda todo dia. A cada dia há uma tabela nova, onde os resultados são modificados, por exemplo, hoje 5+6 é 12, amanhã pode ser 9 ou 40, depende da cabeça de quem faz a tabela.
Assim, "antigamente", para somar 25+19, você rapidamente calculava o resultado e dava: 44. Com as novas mudanças, você precisa olhar na tabela cada vez que vai calcular.
Hoje a tabela (nova tabuada) é a seguinte:
5+9 é 11
2+1 é 7
1 + 7 é 16.
Agora calcule 25 + 19. vamos ver quanto tempo leva e se você acerta.
PODE TENTAR...
PODE TENTAR...
PODE TENTAR...
TERMINOU???
Assim, segundo a “nova tabuada" o resultado do cálculo 25 + 19 será:
5+9=11, fica 1 e eleva o outro 1; 2+1 é 7, mais o 1 que foi elevado dá 8, então resultado será 81. Espera aí! O 1 que foi elevado e somado ao 7 não resulta mais em 8, porque hoje a tabela diz que 1+7 é 16!!!
Dá para entender a dificuldade de fazer um cálculo assim? Você desiste de fazer qualquer cálculo e não quer mais nem saber de matemática! Cada cálculo é um sacrifício enorme, a tabela tem que ser consultada a cada passo. Um trabalho sacrificante. Agora pense que pode ocorrer algo mais ou menos assim se uma criança apresenta um sério problema de memória para fatos matemáticos! Ela precisa contar nos dedos cada vez que vai fazer uma conta, porque, devido a um problema na memória, o que parece simples para os outros, é um tormento para ela.
 
OUTROS SINTOMAS COMUNS
- Não consegue entender ou lembrar os procedimentos matemáticos, ou seja, esquece COMO se faz uma conta. São os chamados erros nos procedimentos matemáticos.
- Não entende os conceitos matemáticos. Por exemplo, tem dificuldade em entender que significa a palavra “adição”, ou que a multiplicação é a soma de um mesmo número por diversas vezes (3 x 4 é igual a 4 + 4 + 4).
- Dificuldade em usar a matemática no cotidiano.
DÁ PRÁ DIAGNOSTICAR A DISCALCULIA ANTES DE CHEGAR NA IDADE ESCOLAR?
       
É possível dizermos com bom grau de confiabilidade se uma criança terá dificuldade no aprendizado em matemática.
Isto porque atualmente sabemos quais são as funções mentais necessárias para o aprendizado em matemática.
Assim, mesmo antes de entrar na escola, podemos avaliar se estas funções mentais estão funcionando de forma normal.
As principais funções incluem: a memória de trabalho verbal e visual, memória de longo-prazo, a linguagem, o raciocínio quantitativo, funções visuoespaciais e a numerosidade.
NUMEROSIDADE é a habilidade “pré-matemática” mais precoce e refere-se a capacidade que uma criança tem de identificar e quantificar automaticamente pequenas quantidades. Assim uma criança com 4 anos consegue olhar 3 ou 4 objetos e dizer, sem contar, que existem 3 ou 4 objetos naquele grupo.
No desenho abaixo, é medido quanto tempo a criança leva para perceber que existem 3 pontos. Crianças com discalculia precisam contar cada bolinha para saber que existem 3 bolinhas.

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Psicomotricidade na Discalculia

As dificuldades de aprendizagem da matemática são frequentemente camufladas por situações como Dislexia e/ou a Disgrafia. Sabemos que a estruturação perceptiva desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da matemática. O papel da psicomotricidade, nos períodos pré-escolar e escolar, será auxiliar a criança na passagem da fase perceptiva à fase da representação mental, bem como na consolidação dos conceitos inerentes à matemática. Assim, todas as atividades vividas pela criança serão analisadas do ponto de vista perceptivo, posteriormente simbolizadas, tanto na plano verbal como no gráfico (Matias, 2010).

 

Exercícios de reforço Lateralidade:

  • Realizar jogos de arremesso, ora com lado direito, ora com o lado esquerdo. Em crianças mais pequenas não deverá ser mencionado lado direito nem esquerdo mas sim "este lado" e agora o "outro lado". A instrução poderá ser associada a uma informação tátil.
  • Continuar com a tarefa anterior mas em atividades de pontapear.
  • Em crianças mais velhas, colocar no chão , em linha, bolas de papel (de diâmetro suficiente para caber um pé em cima da bola) e de duas cores, alternadas. Uma cor corresponde ao pé direito e a outra ao pé esquerdo. A criança deverá colocar o pé na cor correspondente. Trocar as correspondência e a disposição das bolas.


Exercícios de reforço da Noção do Corpo associada à Noção de Quantidade:


  • Mostrar à criança as diferentes formas de mostrar dos dedos, mediante o pedido. Começar por mostrar até três e enumerar gradualmente;
  • Continuar com a tarefa anterior, mas associado a uma quantidade equivalente de um objecto à escolha (exemplos: bolas, lápis, bonecos);
  • Realizar a primeira tarefa mas associar a movimentos corporais globais, como saltos, passos;
  • De frente para o espelho e com a ajuda de alguns objectos (arcos, bastões e cordas), posicionar o corpo segundo a forma de um número.


Exercícios de reforço da Estruturação Espaço-Temporal:

  • Comparar tamanhos de objetos, introduzindo as noções de altura, comprimento e largura;
  • Realizar filas de objetos, de forma a poder identificar o primeiro e o último, em função da posição da criança;
  • Ordenar fotografias da criança, do seu pai (ou mãe) e do seu avô (ou avó). Primeiro ordenar dos mais novo para o mais velho, e posteriormente fazer o inverso;
  • Montar um cronograma diário, em que estejam representadas as diferentes partes do dia e as principais refeições. Debaixo delas deverão constar desenhos ou fotografias, das atividades realizadas pela criança.


Exercícios de reforço da Atividade Perceptivo-Motora:

  • De frente para o espelho, a criança deverá colocar-se numa posição, a qual será imitada parcialmente pelo técnico. A criança deverá identificar as diferenças. Trocar;
  • A criança realiza uma pequena sequência de movimentos (exemplo: saltar, bater uma palma e sentar), a qual será imitada parcialmente pelo técnico. A criança deverá identificar as diferenças. Trocar;
  • Com cordas, ajudar a criança a construir figuras geométricas no chão. Passar por cima das cordas, pé ante pé, ajudando a criança a verbalizar o trajecto que acabou de realizar, em cada uma das figuras;
  • Desenhar as figuras geométricas numa folha e explicar as diferenças. Em crianças mais pequenas, o tracejado poderá ser usado como suporte ao desenho, bem como o sei discurso poderá ser apoiado em perguntas do técnico.


Referência Bibliográfica:

Matias, A.R. (2010, Março). Psicomotricidade: Dificuldades na aprendizagem da matemática. O Guia para Pais e Educadores, (28), 8.

Sugestões de jogos para Discalculia

Os jogos constituem um espaço privilegiado para a aprendizagem e, quando bem utilizados, ampliam possibilidades de compreensão através de experiências significativas que se propõem.

Além disso, possibilitam a busca de meios pela exploração, ainda que desordenada, atuando como aliados fundamentais na construção do saber.

Os jogos, portanto, são atividades que devem ser valorizadas desde o nascimento, pois é através delas que a criança aprende a movimentar-se, falar e desenvolver estratégias para solucionar os problemas que terão pela frente (Silva, 2008).

Abaixo serão apresentadas alguns jogos/atividades, que podem ser trabalhadas tanto em salas de aulas, ou até mesmo em casa, com a supervisão dos pais, professores ou especialistas:

Matrix

O jogo é composto de um tabuleiro quadriculado de 6 x 6 e trinta e seis peças, sendo: um curinga; uma com a indicação "+15"; uma com "-6"; três com "0 (zero); quatro com "+5"; e as 26 restantes com indicações de "-1, +1,-2, +2, -3,+3,-4,+4,-5,+8,-10,+10", sendo duas de cada.

O jogo é desenvolvido com a participação de dois jogadores que têm como objetivo conseguir o maior número de pontos.

Os participantes, juntos, posicionam, no tabuleiro, as 35 fichas com os números e o curinga, todos voltados para cima.

O primeiro a jogar escolhe se vai retirar a ficha na horizontal ou na vertical e, na primeira jogada, retira o curinga e um número que seja na mesma linha (ou coluna, conforme a opção inicial). A seguir, cada jogador, na sua vez, retira uma ficha da coluna ou na linha (de acordo com a opção inicial) da qual foi retirada a última ficha.

A partida termina quando não restarem fichas na coluna ou na linha e o vencedor será aquele jogador que, ao adicionar os pontos das fichas retiradas, conseguir maior soma.

Os participantes tendem a escolher, de início, as peças com valor maior, deixando as de menor valor para fim. com o tempo perceberam que existem estratégias para se obter maior número de pontos, inclusive criando "armadilhas" para o adversário.


Tangram

O jogo é composto de sete peças (cinco triângulos, um quadrado e um paralelogramo), de cartelas com diferentes figuras e é desenvolvido por um participante, que tem por objetivo formar um quadrado com as sete peças.

Para início do jogo, deve-se procurar uma superfície plana. Encontrado o local adequado, o participante deve ter em mente que todas a sete peças devem, obrigatoriamente, ser utilizadas na formação de uma figura, sem a sobreposição de peças.

O Tagram permite milhares de combinações. Exercitando a inteligência e imaginação, o jogador pederá criar figuras inéditas, enriquecendo, assim, o acervo já existente.


O jogo do Dominó

Colaca-se a disposição da criança um jogo de dominó.
Ela deve ordenar as peças de acordo com a numeração de bolinhas contidas nas extremidades, utilizando as regras do dominó. À medida que é apresentada uma peça o aluno deve colocar a correspondente.
Esta atividade visa desenvolver a percepção do sistema de numeração e estimular a associabilidade, a noção de sequência e a contagem.


Jogo dos cubos e das garrafas


Inicialmente procuramos deixar a criança à vontade e descontraída realizando algumas perguntas para envolvê-las no jogo. Em seguida deixamos á disposição da criança algumas folhas de papel, caneta e lápis coloridos para realização de desenhos.

Entregamos algumas garafas de plásticos de tamanhos bem diferentes e alguns cubos de madeira coloridos para que ela enfileire os objetos sem observar regras. Depois pede-se que separe as garafas maiores das menores, comparando os tamanhos e verbalizando os conceitos de "grande" e "pequeno".
Esta atividade visa verificar as noções de tamanho (grande/pequeno) e a capacidade de percepção espacial e a atenção da criança.


Jogo das garrafas coloridas

Selecionamos oito garrafas de plástico diferentes, a 1ª com 15cm de altura, as outras com 12,5 cm, 10 cm, 7 cm, 5,25 cm, 4,0 cm e 3,5 cm com acabamento de fitas colantes nas beiras.
A criança deve ordenar as garrafas em tamanhos, agrupando,as de tamanhos quase iguais ou diferentes, ordenando-as em fileiras, da menor para a maior e da maior para a menor.
Estas atividades tem como objetivo verificar as noções de tamanho (maior/menor) e estimular a coordenação motora e a contagem.


Botões matemáticos

Separamos botões de várias cores e tamanhos, selecionados por cores e tamanhos. 15 botões brancos, outros tantos azuis e assim por diante.
A criança é orientada a separar botões por tamanhos, na quantidade solicitada, utilizando cordel e folha de papel.
Ela pode ser orientada a formar dúzias ou dezenas.
Esta atividade permite identificar, com facilidade se a criança domina as noções de "meia dúzia", "uma dúzia", "uma dezena" e levar o alunos à descoberta de que duas "meias dúzias" formam uma "dúzia".
O objetivo é desenvolver a habilidade de compreensão de sistema de numeração, a coordenação motora e orientação espacial.


A batalha

Materia: cartas do baralho . Às a 10
Conteúdo: leitura de numeros, comparação
A meta é ganhar mais cartas. Um dos jogadores distribui as cartas: uma para cada participante e cada rodada. Aquele que virar a carta mais alta pega todas as cartas para si. Todas as jogadas se repetem da mesma forma até que todas as cartas já tenham sido distribuídas. Se abrirem cartas iguais, os jogadores que empataram devem virar outra carta e aquele que tirar a mior ganha. Pode ser jogado em duplas ou pequenos grupos.


7 Cobras

Material: 2 dados, lápis e papel
Conteúdo: soma de dados, leitura e grafica de números
Escreve-se a sequência númerica na folha de papel (2 a 12). Na sua vez de jogar, o jogador soma os dados e marca com um X o número sorteado. Se a soma der 7, o jogador desenha uma cobra no seu papel. Quem marcar todos os números primeiro, com o menor número de cobras é o vencedor. Quem obter 7 cobras sai do jogo.


Quantos patos tens?

Material: 2 ou 3 dados, folhas de papel e lápis
Conteúdo: soma de dados, sequência númerica, comparação de quantidade, representação numérica
Combina-se antes de iniciar o número de rodadas. Cada um, na sua vez de jogar, joga os dados e efectua a soma marcando a quantidade obtida na sua folha. Ao final das rodadas, soma-se todas as quantidades obtidas e ganha aquele que obteve maior numero de "patos".


Número oculto

Material: lápis e papel
Conteúdos: comparação de quantidades, sequência numérica, raciocínio lógico matemático.
Sorteia-se um jogador para iniciar. Este pensará em um número dentro do limite estabecendo pelo grupo (0 a 10 ou 10 a 20 ou 0 a 50) anotando no papel sem deixar ninguém ver. Os outros participantes deverão, um de cada vez dizer números a serem comparados com o número oculto pensado pelo jogador. O aluno que pensou no número deve dizer se os números ditos pelos amigos são maiores ou menores que o número pensado por ele, até que alguém descubra o número oculto e ganhe o direito de pensar nele, iniciando uma nova rodada.


Jogo do detetive

Material:blocos lógicos
Conteúdo: os trabalhados com os blocos, raciocínio lógico.
As crianças podem ser organizados em duas equipas. Cada equipa dispõe de um jogo de blocos.

Nível 1 - a equipa 1 escolhe uma peça e coloca atrás de um anteparo. A equipa 2 dispõe os blocos a sua frente, para ajudar a organizar o raciocínio. Esta equipa deve discutir a estratégia de pergunta. Por exemplo: é vermelha? se a equipa 1 responder que não, a equipa 2 poderá retirar as peças vermelhas e pergunta: é amarela? as perguntas continuam até que a equipa 2 possa descobrir qual é a peça que está atrás do anteparo. Então as equipas invertem as posições e a equipa 2 passa a esconder a peça. Uma variante é marca o número de perguntas que cada equipa faz, ganhando o jogo, quem fizer o o menor número de pergunta. Entretanto, se chutar e errar, perder o jogo.

Nível 2 - quando o jogo com a manipulação das peças se tornar fácil, podemos surgir que as crianças apenas olhem para as peças, mas não as toquem.

Nível 3 - este nível é bem mais difícil. porque exige um raciocínio classificatório interiorizado, vamos surgerir que as crianças descubram a peça sem olhar para outro conjunto de blocos.

Nível 4 - esconderemos duas ou três peças simultaneamente, que deverão ser descobertas.



Referências Bibliográficas:


Silva, W.C. (2008). Discalculia: uma abordagem à luz da Educação Matemática.Relatório Final para concretização do Projecto de Iniciação Ciêntifica, PIBIC, Univerdidade de Guarulhos, Guarulhos.

Smole, K.S et all (2000). Brincadeiras Infantis nas Aulas de Matemática : matemática de 0 a 6. Porto Alegre: Armed.

DISCALCULIA



A discalculia é a dificuldade em lidar com cálculos, numerais e quantidades, dificultando as actividades de vida diária que envolvem essas habilidades e conceitos. Indivíduos com transtornos na matemática, têm a capacidade para a realização de operações aritméticas, cálculo e raciocínio matemático substancialmente inferior à média esperada para sua idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade. É uma falha na aquisição da capacidade e na habilidade de lidar com conceitos e símbolos matemáticos. Esta dificuldade está na base do reconhecimento do número e do raciocínio matemático e envolve a dificuldade na percepção, na memória, na abstracção, na leitura, no funcionamento motor e combina actividades dos dois hemisférios.
Em suma, a criança com discalculia é incapaz de:
• Visualizar conjuntos de objectos dentro de um conjunto maior;
• Conservar a quantidade, o que a impede de compreender que 1 quilo é igual a quatro pacotes de 250 gramas;
• Compreender os sinais de soma, de subtracção, de divisão e de multiplicação (+, –, ÷ e x);
• Sequenciar números, como, por exemplo, o que vem antes do 11 e depois do 15 (antecessor e sucessor);
• Classificar números;
• Montar operações;
• Entender os princípios de medida;
• Lembrar as sequências dos passos para realizar as operações matemáticas;
• Estabelecer correspondência um a um, ou seja, não relaciona o número de alunos de uma sala à quantidade de carteiras; e
• Contar através de cardinais e ordinais.

Os processos cognitivos envolvidos na discalculia são:
• Dificuldade na memória de trabalho;
• Dificuldade na memória das tarefas não-verbais;
• Dificuldade na soletração de não-palavras (tarefa de escrita);
• Ausência de problemas fonológicos;
• Dificuldade na memória de trabalho que implica contagem;
• Dificuldade nas habilidades visuo-espaciais;
• Dificuldade nas habilidades psicomotoras e perceptivo-tácteis.

Segundo Johnson e Myklebust (1983), a discalculia classifica-se segundo seis tipos:
a) Discalculia Verbal – dificuldade para nomear as quantidades matemáticas, os números, os termos, os símbolos e as relações;
b) Discalculia Practognóstica – dificuldade para enumerar, comparar e manipular objectos reais ou em imagens, matematicamente;
c) Discalculia Léxica – dificuldades na leitura de símbolos matemáticos;
d) Discalculia Gráfica – dificuldades na escrita dos símbolos matemáticos;
e) Discalculia Ideognóstica – dificuldades em fazer operações mentais e na compreensão de conceitos matemáticos; e
f) Discalculia Operacional – dificuldades na execução de operações e cálculos numéricos.

DISCALCULIA