Mostrando postagens com marcador Altas Habilidades. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Altas Habilidades. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, julho 14, 2014

Altas Habilidades


Por Carine Bosqueiro

1) O que é?

“Indivíduo que apresenta uma ou mais áreas de habilidades ou talento, com traços consistentemente superiores em relação a uma média, em qualquer campo do saber ou do fazer(Ministério Da Educação).”

“Pessoa que apresenta grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes (CNE/CEB Nº2/2001).”

Os resultados dessas investigações têm comprovado que os indivíduos dotados são biologicamente diferentes: sua estrutura cerebral dispõe de maior número de células gliais(proporcionam suporte e nutrição aos neurônios) e conexões sinápticas(conexões entre os neurônios), resultado da interação favorável entre padrões genéticos e oportunidades proporcionadas pelo meio.


2) Quando a pessoa pode ser caracterizada como A.H.?

 Caracterização na EDUCAÇÃO INFANTIL:

• Aprende depressa e se lembra facilmente;
• Parece amadurecido para a idade;
• Apresenta grande vocabulário;
• Lê e compreende com facilidade;
• Experimenta para resolver problemas;
• Prefere brincar com crianças mais velhas;
• Apresenta grande sensibilidade;
• Exibe curiosidade intelectual;
• Mostra compaixão com animais e pessoas;
• Aprecia quebra-cabeça, jogos de montar, labirintos e
• números
• Questiona autoridade;
• Parece ficar chateada com facilidade;
• Tem alto nível de energia;
• Mostra talento em música, artes, dramatização, ou dança;
• Exibe senso de humor;
• Coleciona e organiza pedras, insetos e outras coisas.

 Caracterização – Criança e Adolescente:

• Alto grau de curiosidade;
• Boa memória;
• Atenção concentrada;
• Persistência;
• Independência e autonomia;
• Interesse por áreas e tópicos diversos;
• Facilidade de aprendizagem;
• Criatividade e imaginação;
• Iniciativa e liderança;
• Vocabulário avançado para a idade cronológica;
• Riqueza de expressão verbal;
• Facilidade para interagir com crianças mais velhas ou adultos;
• Habilidades para lidar com idéias abstratas;
• Interesse por livros e outras fontes de conhecimento;
• Alto nível de energia;
• Preferência por situações/objetos novos;
• Senso de humor;
• Originalidade para resolver problemas;
• Reagem positivamente a elementos novos, estranhos e misteriosos;
• Curiosos, fazem muitas perguntas, gostam de investigar;
• Persistem em examinar e explorar estímulos com o objetivo de conhecer melhor a respeito deles;
• São independentes, individualistas e auto-suficientes;
• Relacionam informações e conhecimentos;
• Têm sempre muitas idéias;
• Preferem idéias complexas; irritam-se com a rotina.
• Podem ocupar seu tempo de forma produtiva, sem ser necessária uma estimulação constante do professor.


3) Para que identificar e estimular uma pessoa com A.H. ?


Embora em nossos meios maior atenção seja dada à inclusão e desenvolvimento dos alunos com dificuldades e deficiências, os alunos mais capazes e talentosos precisam também receber atenção especial para que não sejam levados a tornarem-se médios, abaixando suas expectativas e nível de produção.

A falta de atendimento causa desânimo, frustração e em alguns casos, até desistência.


4) Quem são os profissionais que diagnosticam a A.H.?

O professor é um profissional apto para identificar seus alunos com altas habilidades.


5) Onde podemos encaminhar um indivíduo com A.H.?

Nas escolas estaduais podemos contar com o apoio do CAPE – Centro de Apoio Pedagógico Especializado(http://cape.edunet.sp.gov.br/cape_arquivos/altashabilidades.asp). Em outros casos, a pessoa poderá ser encaminha para um psicopedagogo especialista ou para o APAHSD – Associação Paulista para Altas Habilidades Superdotação(http://www.apahsd.org.br/novo/index.php) e ComBradSD - Conselho Brasileiro para Supoerdotação(http://www.conbrasd.org/index.php?pg=capa.php&tipo=2#MG).

6) Porque estimular uma pessoa com A.H.?

É um engano pensarmos que crianças dotadas tem recursos suficientes para desenvolverem sozinhos suas habilidades. A realidade é que necessitam de uma variedade de experiências de aprendizagem enriquecedoras que estimulem o desenvolvimento do seu potencial.

A estimulação pode incentivar o crescimento das ramificações dos dendritos, a complexidade nas conexões entre os neurônios e a formação de mais células gliais.
As pesquisas mostraram que a estrutura cerebral presente no nascimento se degenerará, desaparecerá se não houver estimulação.
O potencial maior da criança dotada geralmente fica perdido, pois se não há estímulo adequado, o potencial irá se “acomodar” e se igualar à média.

7) O que identificar para selecionar crianças superdotadas?

Indicadores gerais para seleção de crianças superdotadas segundo Dra. Florence Brumbaugh:

 anda e fala mais cedo que a maioria das crianças de sua idade e sexo (gênero);
 tem mais energia e vigor que outras crianças de sua idade e sexo (gênero);
 tem interesse precoce por palavras e números;
 tem vocabulário extenso para a sua idade;
 expressa curiosidade por muitas coisas;
 tem boa memória;
 tem capacidade incomum de raciocínio;
 tem capacidade incomum de planejar e organizar;
 relaciona informações recebidas no passado com os novos conhecimentos adquiridos;
 tende a associar-se a crianças mais velhas do que ela;
 age como líder entre as crianças de sua idade;
 sensibilidade emociona: sentimento de desafio diante da imprecisão e da desordem; preferência para lidar com abstrações; necessidade de independência e autonomia em suas ações; resistência à pressão para o conformismo; apreciação de qualidades estéticas;
 auto-imagem precisa: facilidade para recordações precoces, mesmo que desagradáveis, senso de humor; variabilidade de atitudes, entremeando atitudes adultas com reações impulsivas e imaturas; tendência para respostas imaginativas e emocionais; maior independência do meio ambiente;
 no trabalho escolar: demonstração de muitas idéias inesperadas; presença de idéias originais e extravagantes; auto-aceitação sem medo do ridículo;expressão livre de seus sentimentos; percepção do desconhecido como um desafio; abertura à experiência como um todo; maior tolerância à ambiguidade; maior tendência a julgar com base em valores pessoais internos; ausência de rigidez
 demonstra mais interesse por esforços criadores e por novas atividades do que por tarefas repetitivas e rotineiras;
 concentra-se em uma única atividade durante um período prolongado sem se aborrecer;
 tem inúmeros interesses que a mantém ocupada;
 persiste em seus esforços em face das dificuldades inesperadas;
 cria suas próprias soluções para problemas e exibe um “senso comum” pouco usual;
 tem senso de humor avançado para a idade;
 exibe sensibilidade em relação aos sentimentos dos outros;
 tem interesse por várias atividades, como desenhar, cantar, dançar, escrever, tocar instrumento musical;
 constrói histórias vívidas e dramáticas ou relata sua experiência com grande quantidade de detalhes.



1) Como atender um A.H.?

 Na escola seguir:

• O processo pedagógico;

• Fazer acordo com membros da escola (direção, coordenação, professores, PPP);

• Aplicação do instrumental de alta habilidades(questionário e outros);

• Levantamento das informações do questionário;

• Classificação dos domínios de capacidade dos alunos;

• Devolutiva das informações para os envolvidos no processo;

• Observação assistida;

• Plano individual do aluno;

• Planejamento das atividades.


 Na escola o atendimento poderá ocorrer:

• Dentro da sala de aula;

• No contra turno, em salas de recurso ou programa específico;

• Deverá ser feita a diferenciação e compactação de Currículo como segue abaixo:

 O professor deve diferenciar o currículo para que os alunos mais capazes não percam o gosto pela escola.

 O professor pode utilizar recursos como aceleração de série, projetos independentes, cursos avançados, oportunidades de enriquecimento escolar, compactação de currículo e outras formas de acompanhamento para manter a criança estimulada e desafiada em sala de aula.

 Permite que alunos com habilidades intelectuais superiores prossigam mais rapidamente com o conteúdo já dominado, eliminando a rotina de passar por exercícios repetitivos desnecessariamente.

 A compactação do currículo torna mais desafiador o ambiente de aprendizagem, dando ao aluno oportunidade de aproveitar melhor seu tempo para o desenvolvimento de atividades de enriquecimento e abrindo espaço para a aceleração escolar (Reis, Burns & Renzulli, 1992; Starko, 1986; apud Virgolim, 2007).

 Dois procedimentos são essenciais para a compactação do currículo:

(1) um cuidadoso diagnóstico da situação;
(2) completo conhecimento do conteúdo e dos objetivos da unidade de instrução.

 O professor deve identificar a área do currículo que o aluno já dominou e suas áreas fortes, geralmente observadas quando o aluno termina rapidamente uma tarefa com pouco ou com nenhum erro, e quando demonstra insatisfação, tédio ou desânimo com o ensino, desperdiçando o seu tempo em sala de aula para sonhar acordado ou fazer bagunça. Em seguida, o professor deve aplicar atividades ou pré-testes para assegurar se o aluno tem completo domínio do tema ou conteúdo, e se atende aos objetivos daquela unidade. Na maioria dos casos, as provas e avaliações utilizadas ao término do bimestre ou semestre servem como pré-teste.

 Uma vez documentada a área em que o aluno já domina, o professor indica as atividades que podem ser eliminadas do currículo ou aceleradas para se adaptar ao ritmo próprio do aluno.

 E, por fim, o professor explora as diversas formas de aceleração ou enriquecimento que ele poderia providenciar ainda na sala de aula regular.

o Por exemplo, se várias unidades curriculares de matemática foram compactadas, o professor deve decidir se o aluno pode ser acelerado para outra série ou se poderá ser beneficiado por um aprofundamento do conteúdo na matéria, ou mesmo se deve dedicar o tempo extra a outra disciplina ou tópico de interesse.

- Fora da escola o atendimento poderá ocorrer:

• Centros de desenvolvimento de Talentos;

• Aceleração: tem como objetivo principal reorganizar o tempo escolar, no sentido de compatibilizar o ritmo de produção de algumas crianças e jovens mais capazes, com a temporalidade escolar para completar as etapas e níveis escolares- idêntica para todos, baseada em médias e previsões administrativas.

Modalidades de aceleração:

• Entrada mais cedo ao nível seguinte de escolaridade. Ex:
Do Jardim para o Fundamental ou no Nível Básico seguinte, ou do Ensino Médio para o nível superior.

• Saltar séries escolares em qualquer nível.

• Frequentar séries mais adiantadas, em algumas disciplinas.

• Agrupamento vertical com variedade de idades e séries para determinados assuntos e/ou para certas disciplinas.

• Cursos fora da escola, em áreas ou disciplinas escolares específicas.

• Estudos simultâneos em dois níveis – Fundamental e Médio;
Médio e Superior.

• Estudos compactados – para complementação escolar em menor tempo.

• Planos de Estudo Independente para expansão de conteúdo curricular.

• Estudos avançados com mentores versando sobre conteúdo relacionado ao currículo.

• Cursos paralelos para avançar currículo: cursos por correspondência, cursos ou disciplinas televisionados, estudo a distancia.


Referências:


BENATI, Alessandra Cândido. Altas Habilidades/Superdotação. Limeira, Diretoria de Ensino, 2010 (Comunicação Oral).

BENATI, Alessandra Cândido. Altas Habilidades/Superdotação. Limeira: Curso Oferecido pela Diretoria de Ensino, 2010. Power Point.

quarta-feira, novembro 28, 2012

Altas habilidades: inclusão ou exclusão? Algumas perguntas e respostas.


APAHSD – Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação
Universidade Gama Filho

A APAHSD e a Universidade Gama Filho, em seu Curso de Especialização em Altas Habilidades,  prepararam um texto didático e em tom coloquial com algumas das perguntas frequentemente realizadas no campo das altas habilidades.

1 – O que são altas habilidades?

Altas habilidades ou superdotação é uma necessidade educacional especial apresentada por alunos que, nas definições do Ministério da Educação, demonstram grande facilidade de aprendizagem, potencial elevado e grande envolvimento com as áreas da ação humana, isoladas ou combinadas: intelectual, comportamental, psicomotora, artística e criativa.

2 – Porque as altas habilidades são uma necessidade educacional especial?

Os sistemas de ensino, de modo geral, são organizados baseados em uma média de habilidades e competências apresentadas pelos alunos. Os alto-habilidosos, por apresentarem diferenças significativas em relação às concepções tradicionais sobre os processos de ensino e aprendizagem, tornam-se excluídos do processo educacional. Apesar da presença física na sala de aula, não aprendem ou desenvolvem os conceitos, procedimentos ou atitudes planejados pelo projeto pedagógico realizado para uma média: dada a grande facilidade de aprendizagem, a organização curricular torna-se desajustada, as ações didáticas tediosas e desinteressantes e, desse modo, o aluno tem negado o seu direito fundamental à educação.


3 – Mas alto-habilidosos precisam realmente de atenção especial? Não são já privilegiados?

Este é um dos principais preconceitos sobre altas habilidades. O alto-habilidoso é visto como uma pessoa privilegiada com um dom especial. Com sua capacidade, poderia realizar tudo sozinho na escola, sem qualquer intervenção, e seria mesmo injusta uma atenção especial. Atender os alto-habilidosos seria “privilegiar os privilegiados”, segundo um certo senso comum. Diante de um falso conceito de igualdade, levanta-se que as flexibilizações previstas pela educação inclusiva deveriam ser realizadas apenas para pessoas com deficiências, e, desse modo, se alcançaria uma pretensa igualdade entre os alunos. Porém, percebe-se frequentemente que neste falso conceito há implícita uma busca de homogeneização dos alunos, negando-se a riqueza que é a sua pluralidade e diversidade. A igualdade conquista-se através da equidade, que é traduzida pelo princípio de tratar os iguais de forma igual e os desiguais de forma desigual, oferecendo assim as mesmas oportunidades a todos. O alto-habilidoso é um diferente, uma pessoa com necessidades especiais, que se não atendido, acaba excluído da escola.

4 – Então os alto-habilidosos sofrem preconceito e discriminação?

Esses alunos são vítimas de uma série de mitos e preconceitos, e por vezes são alvo frequente de bullying e discriminação. Eles se percebem diferentes; porém, o sistema educacional comum lhes nega seu direito à diversidade, causando prejuízos na construção da sua identidade como pessoa, condição para a dignidade humana. Assim, lhes são negados os direitos de realizar os seus projetos de estudos e de inserção específica na vida social.

5 – Se deve dizer a um aluno e à comunidade escolar que ele é alto-habilidoso?

A educação inclusiva necessita de categorias para estabelecer procedimentos necessários para garantir o direito à educação. O aluno com altas habilidades percebe que não é como os demais, é diferente, e esta categoria lhe auxilia na percepção e aceitação de si mesmo no processo da construção da sua identidade pessoal. Porém, existe, por exemplo, o falso temor que esta identidade implicaria em uma pessoa soberba e arrogante, entre outros preconceitos, e logo, esta identidade pode ser rejeitada. Alto-habilidosos são seres humanos como todos os outros, com potencialidades e limitações. Não possuem dons especiais fora da diversidade humana, nem são superiores. Por isso, há um consenso internacional de substituir o termo superdotação por altas habilidades. Não há um “dote” “superior”, mas sim a expressão da pluralidade humana em suas habilidades. Assim, alunos e alunas com altas habilidades, bem como a sua comunidade escolar, devem ser informados de sua especificidade. Este é o objetivo da educação inclusiva: que todos aprendam juntos e saibam identificar, aceitar, respeitar e valorizar todas as diferenças humanas.

6 – Como é identificado o aluno com altas habilidades? É aquele que tira nota 10 em tudo? É o que tem o QI alto?

A identificação de alto-habilidosos é feita em um processo dinâmico e coletivo que envolve a escola, a família e a comunidade. A avaliação não se resume ao Quociente de Inteligência (QI), um indicador válido, porém limitado e mesmo dispensável, que deve ser sempre contextualizado em uma avaliação mais abrangente. Altos habilidosos também não são aqueles com nota 10 em tudo: por vezes, devido ao processo de exclusão, o alto-habilidoso tem baixo desempenho em suas notas, causado pelo desinteresse e desajuste, como também o “bom aluno”, que tem ótimas notas, pode significar apenas o aluno bem ajustado ao projeto pedagógico da escola, sem apresentar altas habilidades. A identificação, e não diagnóstico, porque não se trata de uma doença, é feita através da observação do comportamento do aluno, da avaliação processual do desempenho em atividades na escola e na comunidade, entrevistas com a pessoa, professores, comunidade escolar e família. A aplicação de questionários, atividades e testes, sempre contextualizada, pode enriquecer a identificação ao apontar as áreas de interesse e maior habilidade do aluno. Recomenda-se que a identificação seja sempre realizada por educadores e profissionais especializados que, além dos professores, família e comunidade, podem consultar organismos públicos e privados de apoio às altas habilidades.

7 – O alto-habilidoso é bom em tudo?

Não existe alta habilidade global, ou seja, uma pessoa que tenha elevado desempenho em todas as áreas da ação humana. É inclusive relativamente pequena a porcentagem de alunos com alto potencial em todas as áreas do currículo escolar tradicional. A avaliação do aluno deve contemplar a identificação das áreas em que apresente altas habilidades, para o correto planejamento pedagógico das ações de atenção especial. Desse modo, um erro frequente no atendimento é a cobrança exagerada por notas e por um suposto desempenho global dos alto-habilidosos.

8 – Altas habilidades têm causa genética?

O ser humano é uma rica combinação de fatores biológicos, psicológicos, sociais e culturais. Assim, uma possível predisposição genética às altas habilidades é em grande medida influenciada, positiva ou negativamente, por fatores ambientais, como as relações sociais e a cultura, de tal modo que não se pode afirmar que as altas habilidades possuem causa exclusivamente genética.

9 – As altas habilidades são provocadas pelo ambiente? Pelo estímulo dos pais?

Diante da riqueza de fatores que formam o ser humano, da mesma forma que não se pode afirmar que as altas habilidades possuem causa exclusivamente genética, não se pode encontrar uma relação direta entre o ambiente e as altas habilidades. Há o mito que se pode formar um alto-habilidoso em ambientes estimulantes, ou, ainda, que altos habilidosos se tornam assim porque receberam um grande estímulo dos pais. Mas a prática revela a existência de alto-habilidosos vindos de ambientes extremamente carentes de recursos e estímulos, ao mesmo tempo em que crianças altamente estimuladas pelos pais não se tornam alto-habilidosos.

10 – Na sala comum, como o professor pode identificar indícios de altas habilidades nos alunos e alunas?

O pesquisador Joseph Renzulli  desenvolveu um modelo que pode servir de guia para identificar indícios de altas habilidades. O modelo de Renzulli prevê a existência de três grandes fatores, isolados ou combinados:

1 – capacidade acima da média;

2 – alto envolvimento;

3 – criatividade;

A capacidade acima da média refere-se a habilidades observáveis que superam as previstas para a idade, série ou etapa escolar. O professor deve observar conhecimentos aprofundados sobre temas ou competências altamente desenvolvidas, atitudes e procedimentos avançados, facilidade de aprendizagem, vocabulário sofisticado ou poliglota, grande capacidade de memorização e síntese, de maneira que estas habilidades consistentemente provoquem um desajuste em relação à organização curricular planejada para o aluno.

O alto envolvimento é um persistente interesse por temas, procedimentos ou atitudes específicos, frequentemente acompanhado de alta intensidade emocional e entusiasmo, que leva o alto-habilidoso a desejar avançar ou aprofundar-se muito além do que é comumente previsto na organização curricular. O aluno faz muitas perguntas, por vezes avançadas, não aceita o programa de estudos ou acompanhar o resto da classe ou grupo.

A criatividade é a capacidade de realizar análises e sínteses inovadoras, realizando conexões entre áreas diversas, desenvolvendo novas atitudes ou procedimentos, apresentando visões discordantes da maioria e do que é ensinado como correto.

Deve-se ressaltar que, devido ao processo de exclusão dos alto-habilidosos, é necessário um olhar diferenciado para observar estas características em meio à discrição ou ocultamento frequentemente assumido por estes alunos, ou, ainda, em meio à indisciplina e conflitos provocados pelo desajuste escolar em que se encontram.

11 – Quando se fala em superdotados, imagina-se que são homens, brancos, usam óculos, são solitários e provêm de classes sociais mais ricas. É realmente assim?

Este é o principal estereótipo do alto-habilidoso, que se identificaria em parte com o estereótipo do chamado nerd. Porém a prática no campo das altas habilidades indica que a distribuição populacional de altos habilidosos é homogênea em todos os gêneros, etnias e níveis socioeconômicos. Há um número de alto-habilidosos do gênero feminino equivalente ao do gênero masculino, porém, provavelmente devido aos papéis sociais ainda relacionados ao gênero feminino, há dificuldades de, por exemplo, as mulheres serem vistas como alto-habilidosas. Também é homogênea a distribuição entre brancos, negros, pardos, índios e outras etnias e, nas políticas atuais de atendimento às altas habilidades no Brasil, é expressivo o número de alto-habilidosos que provêm das classes mais pobres.

12 – Alto-habilidosos são muito raros e nunca tive alunos assim: aqueles dos filmes é que realmente são superdotados.

Este é o mito da raridade e do desempenho mítico do alto-habilidoso. Nele está implícita, primeiramente, a redução das altas habilidades ao campo intelectual e, em segundo, que se espera um desempenho mítico e fabuloso, próprio do imaginário popular e senso comum, para que se reconheçam as altas habilidades em um aluno. Porém, as altas habilidades envolvem todas as habilidades e competências humanas, como as do campo artístico, comportamental e psicomotor, de tal modo que, nesta abordagem mais ampla, o Ministério da Educação indica que de 10% a 15% de qualquer população escolar apresenta altas habilidades, nas diversas áreas. Chamada de necessidade educacional invisível, frequentemente a identificação é dificultada pelo processo de exclusão, quando os alto-habilidosos, constrangidos pelo sistema educacional comum, passam a se esconder e a simular que estão ajustados ao programa e projeto pedagógico.

13 – Quais são os fundamentos legais para o atendimento a alto-habilidosos?

Resumidamente, como princípios, a Constituição Federal de 1988 apresenta em seu Art. 205 a finalidade da educação como o “pleno desenvolvimento da pessoa” e em seu Art. 208 define o direito ao “acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. Já a LDB, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) apresenta explicitamente o superdotado como portador de necessidades especiais e sujeito de direitos em seu artigo 59, que garante a “aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados”. Nos últimos anos, o Conselho Nacional de Educação emitiu alguns pareceres e resoluções sobre o atendimento aos altos habilidosos, destacando-se o parecer CNE/CEB 17/2001, que entre os educandos com necessidades educacionais especiais, define os que apresentam:

“Altas habilidades/superdotação, grande facilidade de aprendizagem que os leve a dominar rapidamente os conceitos, os procedimentos e as atitudes e que, por terem condições de aprofundar e enriquecer esses conteúdos, devem receber desafios suplementares em classe comum, em sala de recursos ou em outros espaços definidos pelos sistemas de ensino, inclusive para concluir, em menor tempo, a série ou etapa escolar. “

No âmbito do Município de São Paulo, a Câmara Municipal, por intermédio do Vereador Eliseu Gabriel, realizou em novembro de 2011 o II Congresso Paulista para Altas Habilidades e Superdotação, e desde então foi instalado o Fórum Legislativo para Altas Habilidades, que propôs um projeto de lei para atendimento às altas habilidades no município de São Paulo, que tramitará na câmara municipal a partir do segundo semestre de 2012.

14 – O que é enriquecimento curricular?

O enriquecimento curricular é a modalidade de atendimento escolar às altas habilidades que ocorre a partir do ensino fundamental, através de desafios suplementares e aprofundamento curricular nas áreas de altas habilidades apresentadas pelos alunos. O enriquecimento curricular deve ser realizado em sala comum ou em outros espaços definidos pelos sistemas de ensino, como núcleos de apoio públicos ou privados. Para a educação infantil, é previsto o chamado enriquecimento lúdico, que é o próprio desta etapa da escolarização ao respeitar a identidade da educação infantil: consiste na estruturação de atividades e ambientes para o exercício da ludicidade de acordo com os interesses da criança.

15 – O que é aceleração de estudos? Quando deve ser realizada?

A aceleração de estudos é uma modalidade de atendimento às altas habilidades que consiste no ajuste do programa escolar de modo a contemplar a grande facilidade de aprendizagem desta especificidade. Mediante uma ampla avaliação, individualiza-se o projeto pedagógico de modo a que a série ou etapa escolar do alto-habilidoso seja concluída em menor tempo. A aceleração deve ser realizada então mediante a avaliação da maturidade socioemocional do aluno e o domínio de conceitos, procedimentos e atitudes compatíveis com uma série ou etapa escolar mais avançada do que se encontra na qual ele deverá ser matriculado.

16 – Quais ações existem atualmente no Brasil para o atendimento às altas habilidades?

Em 2006, o Ministério da Educação inaugurou em parceria com os governos estaduais os NAAHSD – Núcleos de Atividades de Altas Habilidades/Superdotação, que desde então funcionam como centros públicos de referência e atendimento a alto-habilidosos. Ao mesmo tempo, desde os anos 90, se multiplicaram pelo país diversas associações de pais e profissionais voltadas para altas habilidades. Estas associações e outros profissionais também se reúnem formando o CONBRASD, o Conselho Brasileiro para Superdotação, que foi fundado em 2003. No município de São Paulo, a APAHSD – Associação Paulista para Altas Habilidades/Superdotação, é uma OSCIP – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público, que desde a sua fundação em 2005 vem oferecendo serviços de identificação e enriquecimento curricular a alto-habilidosos da rede municipal, e, em parceria com a Universidade Gama Filho, oferece na cidade de São Paulo cursos de pós-graduação latu senso de especialização em altas habilidades.

Referências e para saber mais:

Pós-Graduação Latu Senso Especialização em Altas Habilidades/Superdotação da Universidade Gama Filho. http://posugf.com.br

CONBRASD – Conselho Brasileiro para Superdotação: http://www.conbrasd.org/

Mitos e Crenças sobre as Pessoas com Altas Habilidades: alguns aspectos que dificultam o seu atendimento. Artigo da Dra. Susana Graciela Pérez Barrera Pérez, disponível em http://migre.me/a7DGd

Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, do Conselho Nacional de Educação – Parecer CNE/CEB 17/2001. Disponível em http://migre.me/9QpIs

Documento Orientador dos NAAHSD – Núcleos de Apoio às Altas Habilidades/Superdotação, do Ministério da Educação. Disponível em http://migre.me/9QpNx

Um olhar para as Altas Habilidades – Construindo Caminhos. Documento orientador da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo. Disponível em http://migre.me/9QpTp

sexta-feira, novembro 23, 2012

Altas Habilidades

Como identificar e desenvolver os alunos com altas habilidades e superdotação.

Por Carolina Nunes

A Secretaria de Estado de Educação dispõe do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação (NAAHS-RJ), em Niterói, criado pelo MEC em 2005. Lá, alunos da rede pública participam de oficinas de convivência, informática, desenho, literatura, ciências e, de acordo com a demanda, novas oficinas são criadas. “Normalmente são duas horas de encontro, duas vezes por semana. Fazemos questão de conhecer os pais desses adolescentes, para que possamos explicar o jovem que eles têm em casa. Além disso, fazemos passeios fora do núcleo, para treinar o olhar do adolescente em diversos ambientes”, explica a professora Márcia Christina Scultori Mathias Netto, uma das responsáveis pela capacitação, até agora, de três mil professores da rede pública.

De acordo com a cartilha do NAAHS, é possível identificar esses alunos em uma ou várias áreas:
- Acadêmica - tira boas notas em algumas matérias na escola – não necessariamente em todas –, tem facilidade com as abstrações, compreensão rápida das coisas e demonstra facilidade de memorização.

- Criativa - é curioso, imaginativo, gosta de brincar com ideias, tem respostas bem humoradas e diferentes do usual.

- Liderança - é cooperativo, gosta de liderar os que estão ao seu redor, é sociável e prefere não estar só.

- Artística - habilidade em expressar sentimentos, pensamentos e humor através da arte, dança, teatro e música.

- Psicomotora - habilidade em esportes e atividades que requerem o uso do corpo, boa coordenação psicomotora.

- Motivação - é totalmente envolvido pela atividade do seu interesse, resiste à interrupção, facilmente se chateia com tarefas de rotina, se esforça para atingir a perfeição.

Outras características:
- Bebê: Maior tempo de atenção e vigilância, reconhecimento visual, preferência por novos arranjos.

- Desenvolvimento físico precoce: sentar, engatinhar e caminhar antes do normal.

- Linguagem adquirida mais cedo, rápida progressão para sentenças complexas, grande vocabulário e estoque de conhecimento verbal.

- Aprendizagem rápida, com instrução mínima, alta persistência e concentração.

- Curiosidade, elaboração de perguntas profundas e persistência até alcançar a informação desejada.

- Alto nível de energia (menos horas de sono).

- Interesse em áreas específicas, a ponto de se tornarem especialistas nestes domínios.

De acordo com Mara Maria Carvalho de Souza, professora do NAAHS-RJ, todas as Coordenadorias têm salas de recursos multifuncionais, que também devem ser utilizadas por estes alunos, com o acompanhamento de professores. O núcleo conta hoje com uma equipe de mestres, além de monitores. Letícia Teixeira Rocha, 18 anos, é uma das monitoras do núcleo e está concluindo o Curso Normal no Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC). Ela ministra oficinas de Literatura Japonesa e Poesia e já está escrevendo seu terceiro livro. “O meu primeiro foi “Sonhos, amores e ilusões”, o segundo foi “Lapso” e agora estou escrevendo o terceiro. Comecei com 12 anos e sempre tive muita facilidade na escola, sentia que pegava as coisas bem mais rápido do que os outros”, contou.

A mãe de Letícia, Ana Lúcia Teixeira Rocha, não imaginava que a filha poderia ter uma capacidade fora do padrão. “Ela sempre foi muito inteligente, escreve poesias desde cedo. Não imaginava que ela tinha alta habilidade, mas já tinha notado que ela era especial”, disse.

Mas o que acontece se ignoradas as capacidades de uma criança com estas habilidades? “Quando são ignoradas as capacidades, estamos abrindo a possibilidade do desperdício de seus talentos, deixando que uma pessoa muito talentosa deixe de realizar sua vocação de alto nível. Sua felicidade pode estar ameaçada por não realizar aquilo que gosta e tem prazer em fazer porque faz bem. Podemos deixar de ter alguém que traga uma grande contribuição para a sociedade onde aquela criança vive, podemos contribuir para o encaminhamento desta criança de alto nível de desempenho para a marginalidade, aumentando o índice de crimes inteligentes, entre outros. A sociedade brasileira ainda precisa cuidar de suas crianças, permitindo que se desenvolvam integralmente e que possam contribuir com inovações no âmbito da sociedade, produção de conhecimentos, como cidadãos autônomos, criativos, mais felizes, artística e sócio emocionalmente falando. A qualidade de vida numa sociedade também passa pelos valores humanos que se formam em seus cidadãos”, concluiu Cristina Delou.

Extraído de: http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br

domingo, agosto 07, 2011

QUEM É A PESSOA COM ALTAS HABILIDADES ?



A PAH(Pessoa com altas habilidades) não apresenta um perfil homogêneo, o que tem gerado muitos levantamentos de traços, que variam de acordo com o contexto sócio-cultural, com a etapa de desenvolvimento e também de indivíduo para indivíduo.


ALGUMAS CARACTERÍSTICAS DE APRENDIZAGEM, NO ENTANTO, SÃO MAIS FREQUENTES E DESTACADAS (Novaes, 1992; Brasil, 1995b), COMO :

Rapidez e facilidade para aprender;
Facilidade para abstração, associações, análise e síntese, generalizações;
Flexibilidade de pensamento;
Produção criativa;
Capacidade de julgamento;
Habilidade para resolver problemas;
Memória e compreensão incomuns das situações vivenciadas;
Independência de pensamento;
Talentos específicos, como esportes, música, artes, dança, informática;


NOS ASPECTOS COMPORTAMENTAIS E SOCIAIS, PERCEBEM-SE :

Muita curiosidade;
Senso crítico exacerbado;
Senso de humor desenvolvido;
Sensibilidade;
Investimento nas atividades de sua área de interesse e descuido com as demais;
Comportamento cooperativo;
Habilidade no trato com as pessoas;
Liderança;
Capacidade de analisar e propor soluções para problemas sociais;
Aborrecimento com a rotina;
Conduta irrequieta.

segunda-feira, julho 18, 2011

ALTAS HABILIDADES E SUPERDOTAÇÃO:
Concepções e conceitos

Por: Inêz Maria Kwiecinski Teles de Souza
16/07/2011


RESUMO

O objetivo deste artigo é reunir informações sobre o conceito e as concepções das altas habilidades, uma vez que tais concepções e conceitos sobre altas habilidades/superdotação são de suma importância, sobretudo quando se admite que qualquer prática educativa deve sempre partir de um referencial teórico. Superdotação é um conceito ainda em estudo, sabemos, porém que, este conceito serve para expressar alto nível de inteligência e indica desenvolvimento acelerado das funções cerebrais, será que as escolas estão preparadas e equipadas para receber estes alunos preparando-os para se tornarem cidadãos conscientes evitando excluí-los ou discriminando-os?
Palavras-chave: Altas Habilidades; Inteligência; Superdotação.

1 INTRODUÇÃO

            Segundo a Organização Mundial de Saúde, 3% a 5% da população brasileira  é portadora de altas habilidades, e segundo as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Ministério da Educação, 2001), o conceito de altas habilidades/superdotação é adotado por alguns programas brasileiros para destacar crianças consideradas  superdotadas e talentosas. São destacadas as que apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em aspectos isolados ou combinados: "capacidade intelectual geral, aptidão acadêmica específica, pensamento criador ou produtivo, capacidade de liderança, talento especial para as artes e capacidade psicomotora." (SEESP - Secretaria de Educação Especial, 2006).
            De acordo com Parcell (1978, in Hardmann, 1983), os termos “superdotado” e talentoso” se referem a crianças e jovens, identificados na pré-escola, no ensino fundamental ou no ensino médio, como possuidores de habilidades potenciais ou demonstradas, que evidenciam alta capacidade de desempenho, em áreas tais como no desempenho intelectual, criativo, acadêmico especifico ou habilidade de liderança, ou nas artes de representação, artes de um modelo geral e que, por essa razão, necessitam de serviços ou atividades que não são rotineiramente oferecidas pela escola (seção 902) “(p.379).
            Segundo Simonetti, da ABAHSD Associação Brasileira para Altas Habilidades, "superdotação é um conceito que serve para expressar alto nível de inteligência e indica desenvolvimento acelerado das funções cerebrais, o talento indica destrezas mais específicas." (2007, p.1)
            Desde a década de 80 surgiram novas teorias sobre inteligência que vêm ampliando nossa visão sobre altas habilidades; a partir da década de 90, as pesquisas cognitivas foram enriquecidas com o desenvolvimento das ciências neurais. A Teoria da Desintegração Positiva de Dabrowski , o modelo Diferenciado de Superdotação e Talento de Gagné , o Círculo dos Três Anéis de Renzulli , o modelo das Inteligências Múltiplas de Gardner e o modelo WICS de Sternberg são estudos que se destacam, apesar de serem modelos diferentes que não se excluem, mas se completam.
            Gardner (1995) deixa claro que a modalidade  refere-se não especificamente a  altas habilidades, mas à manifestação das várias inteligências de um indivíduo,  enfatizando a capacidade de resolver problemas e de elaborar produtos, afastando o conceito de uma inteligência única e geral. Segundo ele, o ser humano é dotado de inteligências múltiplas que incluem as dimensões lingüística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésico-corporal, naturalista, interpessoal, e intrapessoal.  Com isso, entende-se que as altas habilidades podem e devem ser consideradas uma modalidade ao alcance de todos os alunos, já que  se encontram em pleno processo de desenvolvimento de suas atividades e aptos a desenvolverem suas potencialidades, uns demonstrando sua capacidade de uma maneira e outros de outra, porém todos evidenciam capacidades ou habilidades.
            Parece não haver uma definição unânime de altas habilidades/superdotação, o Círculo dos Três Anéis do psicólogo Joseph Renzulli, um dos maiores especialistas no mundo nesta área, aponta a função decisiva da instituição em estimular o desenvolvimento da capacidade criativa em todos os seus educandos, pois segundo o modelo dos três anéis, os indivíduos com altas habilidades/superdotação são os que apresentam habilidades acima da média em relação aos seus pares, em uma ou mais áreas de inteligência e também apresentam elevado nível de envolvimento com a tarefa, ou seja, são bastante motivados e comprometidos, e criatividade elevada. Essas três peculiaridades apontam que na interação dinâmica entre os três traços é que se localizam os elementos primordiais para a ampliação da prática criativo-produtiva psicomotora. Renzulli conclui que a superdotação é relativa ao tempo, às pessoas (não em todo o mundo) e às circunstâncias, isto é, os comportamentos superdotados têm lugar em determinadas pessoas, em determinados momentos e em determinadas circunstâncias (não em todo tempo).
            Já a Teoria da Desintegração Positiva de Dabrowsky (TDP), tem implicações consideráveis para explicar o desenvolvimento emocional do superdotado, o psicólogo polonês, identificou cinco áreas de superexcitabilidade: psicomotriz, sensorial, intelectual, imaginativa e emocional. Chamou este processo de desintegração positiva porque o crescimento e o desenvolvimento delas era acompanhado de angústia e ansiedade.  As superexcitabilidade são uma elevada habilidade inata para perceber estímulos e responder a eles.
            Em seu Modelo Diferenciado de Superdotação e Talento, Gagné (2000, 2003), propõe que a superdotação é inata e está relacionada ao uso de habilidades naturais expressas espontaneamente, sem treinamento, denominadas aptidões ou dons. Já o talento estaria relacionado a um domínio superior de habilidades sistematicamente desenvolvidas (ou capacidades) em, pelo menos, um campo da atividade humana. Segundo esse modelo, existem cinco áreas de talento: intelectual, criativa, sócio afetivo, sensório motora e percepção extrasensorial
           
            Modelo WICS (Wisdom, Intelligence, and Creativity Synthesized) de Sternberg, segundo o autor, para compreender habilidades devemos pensar não só em termos de Quoeficiente Intelectual, mas também de Inteligência Existosa. Esta é a habilidade intencional para adaptar-se a diferentes ambientes, configurá-los e selecioná-los. Postula que as pessoas inteligentes conhecem suas próprias forças e compensam suas fraquezas. A partir de sua teoria triáquica da inteligência deriva uma concepção plural de superdotação e formula um modelo pentagonal o qual considera que esta deve ter um conjunto de cinco características: excelência, raridade, produtividade, demonstratividade e valor. (STERNBERG, 2000 apud SIMONETTI, 2007, p. 2).
            Como se pode perceber, a concepção de inteligência foi se ampliando no decorrer do tempo, com implicações importantes para a prática educacional, e mais especificamente, para a prática pedagógica do professor, em sala de aula, especialmente no que se refere à identificação das necessidades educacionais especiais do aluno e ao seu ensino.
2 MITOS SOBRE ALTAS HABILIDADES
            Alguns mitos tem se perpetuado através dos tempos, vejamos alguns, citados por PERÉZ (2005):
  • O superdotado tem recursos intelectuais suficientes para desenvolver por conta própria o seu potencial superior: Acredita-se ser desnecessário o estímulo a uma criança superdotada;
  • O superdotado se caracteriza por um excelente rendimento acadêmico: Nem sempre os alunos superdotados têm um bom rendimento;
  • A participação em programas especiais fortalece uma atitude de arrogância e vaidade no aluno superdotado: Dados empíricos demonstram que isso não ocorre, o atendimento especial gera na verdade um aluno mais satisfeito;
  • Estereótipo do superdotado como um aluno franzino, do gênero masculino, de classe média e com interesses restritos especialmente à leitura: Não existe um estereótipo, os superdotados formam um grupo muito heterogêneo;
  • O superdotado tem maior predisposição a apresentar problemas sociais e emocionais: Não existe tal predisposição.
            A superdotação não independe do meio, é necessário estímulo. Nenhuma criança nasce superdotada, apenas com o potencial para superdotação, embora todas as crianças tenham um potencial surpreendente apenas àquelas que tiverem a sorte de terem oportunidades de desenvolverem seus talentos e singularidades em um ambiente que responda aos seus padrões particulares e necessidades, serão capazes de atualizar da forma mais plena as suas habilidades.

3 INDICADORES DE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO
         
            Há vários inventários e listagens elaborados por especialistas contendo indicadores e características específicas que permitem a identificação de comportamento e perfis de alunos com altas habilidades/superdotação. Estes instrumentos podem ser de grande valia, para os pais e professores, na identificação de necessidades educacionais especiais, que precisam ser atendidas, no contexto escolar.
            Dificilmente um aluno vai apresentar todos os indicadores contidos num determinado inventário, mas com freqüência, vários aspectos de suas características serão apontados. Além disso, dificilmente um inventário conterá todos os indicadores possíveis, já que cada um se origina de uma leitura teórica que, como já vimos, está sempre em processo de ampliação, englobando novas áreas de desempenho.
            As crianças com altas habilidades/superdotação não constituem um grupo homogêneo, variando tanto em habilidades cognitivas quanto nível de desempenho e personalidade. Tal conceito leva à análise de um conceito moderno de inteligência, o modelo proposto por Gardner é o mais aceito, ele defende que a inteligência se divide da seguinte forma:
  • Lingüística: habilidades envolvidas na leitura e na escrita, um tipo de inteligência apresentada pelos poetas;
  • Musical: habilidades inerentes a atividades de tocar um instrumento, cantar, compor;
  • Lógico/matemática: habilidade de raciocínio, computação numérica, resolução de problemas, pensamento científico;
  • Espacial: habilidade de representar e manipular configurações espaciais;
  • Corporal/cinestésica; habilidade de usar o corpo inteiro ou parte dele para a realização de tarefas; Interpessoal: habilidade de compreender outras pessoas e contextos sociais;
  • Intrapessoal: capacidade de compreender a si mesmo, tanto sentimentos e emoções, quanto estilos cognitivos e inteligência;
  • Naturalística: habilidade de perceber padrões complexos no ambiente natural;
            Isso nos leva ao seguinte conceito: “Portadores de altas habilidades/superdotados são os educandos que apresentam notável desempenho e elevada potencialidade em qualquer dos seguintes aspectos, isolados ou combinados: capacidade intelectual superior, aptidão acadêmica específica pensamento criativo ou produtivo, capacidade de liderança talento especial para artes e capacidade psicomotora.”
       A superdotação como um fenômeno multidimensional agrega todas as características de desenvolvimento do indivíduo sejam eles: aspectos afetivos, cognitivos, neuropsicomotores e de personalidade. É comum acreditar que para ser considerado superdotado o indivíduo necessariamente tenha que apresentar um desempenho surpreendentemente significativo e superior desde muito jovem, ou dado contribuições originais na área científica ou artística reconhecida como de inestimável valor para a sociedade.
            Lembramos, entretanto, que a superdotação pode existir em somente uma área da aprendizagem acadêmica, tal como a matemática, por exemplo, ou pode ainda ser generalizada em habilidades que se manifestam através de todo o currículo escolar (Lewis e Doorlag, 1991).
3.1 Como reconhecer os superdotados
            No artigo 5º, inciso III, da Resolução CNE/CEB Nº 2 de 2001, que estabelece as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Brasil, 2001), tem como acepção de educandos com altas habilidades/superdotação aqueles que apresentam grande facilidade de aprendizagem, levando-os a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitudes.  Já os Parâmetros Curriculares Nacionais, em sua série de Adaptações Curriculares, Saberes e Práticas da Inclusão (Brasil, 2004), publicada pela Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação, atribuem os seguintes traços como comuns aos superdotados:
  • Alto grau de curiosidade;
  • Boa memória;
  • Atenção concentrada;
  • Persistência;
  • Independência e autonomia;
  • Interesse por áreas e tópicos diversos;
  • Facilidade de aprendizagem;
  • Criatividade e imaginação:
  • Iniciativa;
  • Liderança;
  • Vocabulário avançado para sua idade cronológica;
  • Riqueza de expressão verbal (elaboração e fluência de idéias);
  • Habilidade para considerar pontos de vistas de outras pessoas;
  • Facilidade para interagir com crianças mais velhas ou com adultos;
  • Habilidade para perceber discrepâncias entre idéias e pontos de vistas;
  • Interesse por livros e outras fontes de conhecimento;
  • Alto nível de energia;
  • Preferência por situações/objetos novos;
  • Senso de humor;
  • Originalidade para resolver problemas.
            O objetivo é discutir maneiras de construção do processo de identificação, que gerem informações sobre o aluno com alto potencial e orientem a pratica docente em termos do planejamento de aula, seleção de estratégias de ensino e métodos de avaliação do desempenho escolar.
            O processo de identificação deve ser diluído em diversas fases e a identificação precoce e necessária para assegurar o desenvolvimento saudável de crianças superdotadas e evitar problemas de desajustamento, desinteresse em sala de aula e baixo rendimento escolar.

3.2 Instrumentos de identificação mais utilizados

            Testes psicométricos; escalas de características; questionários; observação do comportamento; entrevistas com a família e professores, entre outros.
            Escalas e testes não fazem diagnósticos, entretanto são ferramentas importantes e servem de rastreamento, pois fornecem dados objetivos úteis para avaliação, intervenção e pesquisa.
            A identificação do aluno requer a realização de uma seqüência de procedimentos, incluindo etapas bem definidas e instrumentos apropriados, formando uma combinação entre avaliação formal e observação estruturada. E importante que a identificação seja um processo continuo.
            A identificação deve ser enriquecida por outras fontes de informação, de forma a privilegiar uma visão sistêmica e global do individuo e não somente sua inteligência superior medida por meio de um teste de QI.
            O processo de identificação do aluno deve envolver uma avaliação abrangente e multidimensional, que englobe variados instrumentos e diversas fontes de informações, levando-se em conta a multiplicidade de fatores ambientais e as riquíssimas interações entre eles que devem ser consideradas como parte ativa desse processo. As características como criatividade, aptidão artística e musical, liderança, entre outras, são também consideradas, porem não são medidas por testes de inteligência, tornando essa identificação mais complexa. E importante destacar o julgamento, avaliação e observação do professores, sendo possível que o professor indique o aluno mais criativo da turma, com maior capacidade de liderança, maior conhecimento e interesse na área de ciências , maior vocabulário, pensamento critico mais desenvolvido, por isso foi elaborado por Delou (1987) uma lista de indicadores de superdotação.
4 ALTERNATIVAS DE INCLUSÃO ESCOLAR
            Temos que lutar por uma escola inclusiva que busque ter um projeto pedagógico que responda as necessidades específicas de cada aluno ou grupos de alunos. Sem dúvida, o convívio ampliado entre os pares é uma das mais férteis vertentes educativas. Propor atendimento suplementar para o aprofundamento e/ou enriquecimento curricular ao aluno com altas habilidades/superdotado flexibilizando e adaptando os currículos, as metodologias de ensino, os recursos didáticos e os processos de avaliação; tornando-os adequados ao aluno com altas habilidades/superdotados, em consonância com o projeto pedagógico da escola; oferecer o apoio pedagógico especializado tanto na classe comum, quanto na sala de recursos.
            Gallagher (1979) chama a atenção para o fato de que o conceito de superdotação está muito ligado aos fatores culturais. Para muitos professores os alunos superdotados fazem o melhor trabalho na sala de aula, e para tanto algumas alternativas de inclusão escolar se apresentam de forma bastante interessante, são elas:
·         Atividades curriculares organizadas na própria escola – são realizadas com a intenção de ocupar os alunos mais capazes por meio de cursos de arte, clubes de ciências, esportes ou através de monitoria de colegas. Porém estas correm o risco de se tornarem rotineiras, planejadas dentro das possibilidades da escola e não para atender as reais necessidades dos alunos
·         Sala de recursos – Esta estratégia foi inicialmente desenvolvida para atender os alunos com deficiências e contava com material didático específico. Diretrizes do MEC (1998) sugerem esta alternativa também para os alunos com altas habilidades ou superdotados. Este recurso visa oportunizar a convivência entre os superdotados, orientados por um professor ou facilitador capacitado para catalisar todos os recursos materiais e humanos existente dentro e fora do espaço escolar, e sobre esta base atender cada criança de acordo com seus interesses e potencial.
·         Modelo de Enriquecimento Curricular (SEM) – Trata-se de um plano apoiado em vários  anos de investigação destinado a identificar altos níveis de potencial nas habilidades, interesses e estilos de aprendizagem dos alunos, além de estimulação de tais potencialidades. Compõem-se de três dimensões em interação: componentes organizacionais, de prestação de serviços e estruturas escolares.
·         Centro de Desenvolvimento do Potencial e do Talento (CEDET). É um espaço de apoio, complementação e suplementação educacional ao aluno com altas habilidades, matriculado em escolas públicas ou particulares. Seu objetivo é desenvolver o autoconceito, cultivas a sensibilidades e o respeito aos outros, com ações voltadas para a identificação e recrutamento dos alunos, pela observação direta dos professores, reavaliação pelas equipes técnicas da escola e do CEDET, além de atendimento especializado.
            A atual LDB presumiu ações pedagógicas a educandos que evidenciam elevada capacidade de desempenho escolar. No Art. 59, da LDB, foram previstos currículos, métodos, recursos educativos e organizações específicas.
  1. Aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar;
  2. Professores especializados;
  3. Educação especial para o trabalho;
  4. Acesso igualitário aos programas sociais.
            Neste enfoque, muitos estudiosos como: (Renzulli, 1986; Tomlinson, 1995; Guenther, 2000; Alencar & Fleith, 2001; Maia-Pinto & Fleith, 2002), têm chamado a atenção para a importância de se reconhecer e estimular, em sala de aula, o potencial de alunos superdotados e talentosos.
Os educadores precisam estimular a construção do conhecimento dos educandos, por meio de aprendizado voltado para a ampliação de conceito, que valoriza a responsabilidade, o espírito de equipe, a ética, o respeito, a cidadania e práticas educativas que desenvolvam a curiosidade, a capacidade criadora, a socialização, o raciocínio lógico do educando entre outras.
Profissionais comprometidos e estimulados compreenderão o processo de aprendizagem, proporcionarão aos educandos um maior desenvolvimento de suas potencialidades, conseqüentemente, os educandos terão maiores chances de realização pessoal e profissional.

5 CONCLUSÃO

            O conceito de altas habilidades evoluiu historicamente de uma concepção unidimensional, limitada a aptidões cognitivas e avaliação psicométrica para uma compreensão multidimensional. Embora a literatura especializada não se alicerce em um conceito uniforme existe um consenso quanto à sua ampliação. Os elevados níveis de cognição e desempenho em uma área ou mais de conhecimento constituem elementos comuns às várias concepções, como também o reconhecimento da importância de ações para o desenvolvimento do talento. Em síntese, talento não se desperdiça, estimula-se.
            Sendo metódica a certeza da incerteza não nega a solidez da possibilidade cognitiva. A certeza fundamental: a de que posso saber. Sei que sei. Assim como, sei que não sei o que me faz saber: primeiro, que posso saber melhor o que já sei; segundo, que posso saber o que ainda não sei; terceiro que posso produzir conhecimento ainda não existente. (FREIRE 1999, p.18).
            Concluindo, uma única fonte de informação jamais será suficiente. O desempenho superior pode estar mais relacionado a vida familiar, aos traços de personalidade e ao engajamento em atividades de seu interesse, do que simplesmente as habilidades cognitivas superiores. Estudos recentes estão mostrando que existe a possibilidade de alto potencial em alunos com dificuldade de aprendizagem (uma dificuldade especifica por um lado e o alto potencial por outro).
            As escolas da rede regular de ensino devem prever e prover na organização de suas classes comuns, de serviços de apoio pedagógico especializado em salas de recursos.
É essencial que o aluno com altas habilidades/superdotação se desenvolva em seu próprio ritmo, aproveitando ao máximo suas potencialidades e competências, sem ser “subjugado” a um conteúdo curricular que já domina; que seja estimulado a construir novos conhecimentos, ao mesmo tempo em que conviva com parceiros da mesma faixa etária, no contexto regular da sala de aula. Obrigar o aluno a trabalhar conteúdos que não lhe constituem desafios de aprendizagem é mantê-lo desmotivado, aborrecido e livre para desenvolver padrões indesejáveis de relacionamento e de comportamento escolar.

            No dia a dia da escola em muitas situações se torna necessário ser flexível na utilização do espaço físico, na utilização de materiais e equipamentos, na organização e reorganização de grupos de trabalhos, na estruturação de planejamentos e em procedimentos e processos de avaliação.

            Os objetivos da ação pedagógica juntos aos alunos com altas habilidades/superdotação devem preparar para a autonomia e independência, desenvolver habilidades, estimular atividades de planejamento, implementar diferentes formas de pensamento e oferecer estratégias que estimulem o posicionamento crítico e avaliativo. 

6 REFERÊNCIAS
ALENCAR, E. M. L. S. & Fleith, D. S. (2001). Superdotados: determinantes, educação e ajustamento. São Paulo: E.P.U.
ARROYO, Miguel G. Imagens Quebradas: Rio de Janeiro: Editora Vozes, 2004.
Brasil. Secretaria de Educação Especial. Política nacional de educação especial: livro 1. Brasília: MEC/SEESP, 1994.

______.Secretaria de Educação Especial. Subsídios para a organização e funcionamento de serviços de educação especial: Área de Altas Habilidades. Brasília: MEC/SEESP, 1995.

______.Secretaria de Educação Especial. Diretrizes gerais para o atendimento dos alunos portadores de altas habilidades, superdotação e talento. Brasília: MEC/SEESP, 1996.

_______.Secretaria de Educação Especial. Programa de capacitação de recursos humanos do ensino fundamental: superdotação e talento vols.1 e 2. Brasília: MEC/SEESP,1999.

BRASIL. Projeto Escola Viva: Garantindo o Acesso e Permanência de Todos Alunos na Escola: Alunos com Necessidades Educacionais Especiais. Brasília: MEC, SEE, 2002b.

FLEITH, D. S. (1999). Psicologia e educação do superdotado: definição, sistema de identificação e modelo de estimulação. Cadernos de Psicologia, 5, 37-50.
FREEMANN, J. & Guenther, Z. C. Educando os mais capazes. São Paulo: EPU, 2000.
FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1999.
GARDNER, H. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995.
GUENTHER, Z.C.  Desenvolver capacidades e talentos: um conceito de inclusão. Petrópolis: Vozes, 2000
Ministério da Educação (1995). Diretrizes gerais para o atendimento educacional aos alunos portadores de altas habilidades/superdotação e talentos. Brasília: Secretaria de Educação Especial.

__________________ (2001). Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica - Resolução nº 02 de 11 de setembro de 2001.
PÉREZ, Susana Graciela. Mitos e Crenças sobre as Pessoas com Altas Habilidades. Porto Alegre, 2005.
RENZULLI, J.S. Os fatores da excepcionalidade, in Anais do XIV Congresso Mundial de Superdotação e Talento, Espanha: Barcelona, 2001
SIMONETTI, D. C. Altas habilidades: revendo concepções e conceitos. 2007. Disponível em: <http://www.altashabilidades.com.br/altashabilidades/index.htm>. Acesso em:12-07-2011.


Proibido a reprodução total ou parcial sem a autorização da autora. Caso necessite favor enviar email para: inezmk1@gmail.com - Grata.