sexta-feira, novembro 23, 2012

Altas Habilidades

Como identificar e desenvolver os alunos com altas habilidades e superdotação.

Por Carolina Nunes

A Secretaria de Estado de Educação dispõe do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades e Superdotação (NAAHS-RJ), em Niterói, criado pelo MEC em 2005. Lá, alunos da rede pública participam de oficinas de convivência, informática, desenho, literatura, ciências e, de acordo com a demanda, novas oficinas são criadas. “Normalmente são duas horas de encontro, duas vezes por semana. Fazemos questão de conhecer os pais desses adolescentes, para que possamos explicar o jovem que eles têm em casa. Além disso, fazemos passeios fora do núcleo, para treinar o olhar do adolescente em diversos ambientes”, explica a professora Márcia Christina Scultori Mathias Netto, uma das responsáveis pela capacitação, até agora, de três mil professores da rede pública.

De acordo com a cartilha do NAAHS, é possível identificar esses alunos em uma ou várias áreas:
- Acadêmica - tira boas notas em algumas matérias na escola – não necessariamente em todas –, tem facilidade com as abstrações, compreensão rápida das coisas e demonstra facilidade de memorização.

- Criativa - é curioso, imaginativo, gosta de brincar com ideias, tem respostas bem humoradas e diferentes do usual.

- Liderança - é cooperativo, gosta de liderar os que estão ao seu redor, é sociável e prefere não estar só.

- Artística - habilidade em expressar sentimentos, pensamentos e humor através da arte, dança, teatro e música.

- Psicomotora - habilidade em esportes e atividades que requerem o uso do corpo, boa coordenação psicomotora.

- Motivação - é totalmente envolvido pela atividade do seu interesse, resiste à interrupção, facilmente se chateia com tarefas de rotina, se esforça para atingir a perfeição.

Outras características:
- Bebê: Maior tempo de atenção e vigilância, reconhecimento visual, preferência por novos arranjos.

- Desenvolvimento físico precoce: sentar, engatinhar e caminhar antes do normal.

- Linguagem adquirida mais cedo, rápida progressão para sentenças complexas, grande vocabulário e estoque de conhecimento verbal.

- Aprendizagem rápida, com instrução mínima, alta persistência e concentração.

- Curiosidade, elaboração de perguntas profundas e persistência até alcançar a informação desejada.

- Alto nível de energia (menos horas de sono).

- Interesse em áreas específicas, a ponto de se tornarem especialistas nestes domínios.

De acordo com Mara Maria Carvalho de Souza, professora do NAAHS-RJ, todas as Coordenadorias têm salas de recursos multifuncionais, que também devem ser utilizadas por estes alunos, com o acompanhamento de professores. O núcleo conta hoje com uma equipe de mestres, além de monitores. Letícia Teixeira Rocha, 18 anos, é uma das monitoras do núcleo e está concluindo o Curso Normal no Instituto de Educação Professor Ismael Coutinho (IEPIC). Ela ministra oficinas de Literatura Japonesa e Poesia e já está escrevendo seu terceiro livro. “O meu primeiro foi “Sonhos, amores e ilusões”, o segundo foi “Lapso” e agora estou escrevendo o terceiro. Comecei com 12 anos e sempre tive muita facilidade na escola, sentia que pegava as coisas bem mais rápido do que os outros”, contou.

A mãe de Letícia, Ana Lúcia Teixeira Rocha, não imaginava que a filha poderia ter uma capacidade fora do padrão. “Ela sempre foi muito inteligente, escreve poesias desde cedo. Não imaginava que ela tinha alta habilidade, mas já tinha notado que ela era especial”, disse.

Mas o que acontece se ignoradas as capacidades de uma criança com estas habilidades? “Quando são ignoradas as capacidades, estamos abrindo a possibilidade do desperdício de seus talentos, deixando que uma pessoa muito talentosa deixe de realizar sua vocação de alto nível. Sua felicidade pode estar ameaçada por não realizar aquilo que gosta e tem prazer em fazer porque faz bem. Podemos deixar de ter alguém que traga uma grande contribuição para a sociedade onde aquela criança vive, podemos contribuir para o encaminhamento desta criança de alto nível de desempenho para a marginalidade, aumentando o índice de crimes inteligentes, entre outros. A sociedade brasileira ainda precisa cuidar de suas crianças, permitindo que se desenvolvam integralmente e que possam contribuir com inovações no âmbito da sociedade, produção de conhecimentos, como cidadãos autônomos, criativos, mais felizes, artística e sócio emocionalmente falando. A qualidade de vida numa sociedade também passa pelos valores humanos que se formam em seus cidadãos”, concluiu Cristina Delou.

Extraído de: http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br

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