terça-feira, junho 09, 2015

Deficiência Intelectual X Dislexia

Segundo a literatura, existem habilidades que são mais prejudicadas na Deficiência Intelectual e outras na Dislexia. A observação adequada dessas dificuldades nos auxilia na obtenção de um diagnóstico mais preciso, nos permitindo ter uma visão diferencial de cada criança, verificando incoerências e determinando as melhores estratégias interventivas.

A Deficiência Intelectual (DI) é a principal patologia com relação à possibilidade de comorbidades apresentadas, ou seja, um indivíduo diagnosticado com deficiência intelectual pode apresentar-se com hiperatividade ou cometer trocas de letras com características disléxicas. No entanto, esses são sintomas "a mais" daquele quadro de deficiência intelectual, que deverá ser o diagnóstico principal. Um DI tem características muito variadas, dependendo do grau do acometimento, etiologia e estímulos recebidos. Algumas características neurolinguísticas e cognitivas:

Pouco, lento e pobre domínio visual de figuras;
Dificuldade com a orientação espacial e lateralidade;
Dificuldade em processar imagens vísuo-espaciais sem apoios concretos;
Falhas e empobrecimento no conteúdo do desenho;
Velocidade baixa de nomeação, com vocabulário empobrecido;
Rebaixamento nas memórias imediatas visuais e auditivas;
Pouca compreensão de ordens complexas, que envolvam abstrações e classificações;
Lentidão e empobrecimento sintático na formação de frases;
Dificuldade em alternar ordens num jogo;
Atraso na aprendizagem dos números e cálculos matemáticos;
Falhas de consciência fonológica e elementos sonoros individuais;
Atraso na aprendizagem das letras e fonemas;
Trocas de letras aleatórias, omissões e inserções variadas;
Leitura lenta, silabada e com baixa compreensão;
Escrita com caligrafia lenta, disgráfica e com baixa estruturação sintática e inteligibilidade.


Já os indivíduos disléxicos tendem a apresentar :

Falho e lento domínio visual;
Falho domínio vísuo-espacial e lateralidade;
Pobreza de detalhes no desenho;
Confusão léxica de nomeação de figuras;
Inversões, omissões ou trocas por sinônimos em memória visual e auditiva - pior para auditiva;
Falta de objetividade e clareza na classificação de objetos;
Falta de clareza na elaboração oral;
Confusão ou esquecimento de ordens complexas;
Dificuldades importantes de consciência fonológica, principalmente envolvendo soletração e rimas;
Facilidade com cálculos simples;
Atraso na aprendizagem dos fonemas e aquisição da leitura;
Trocas e confusão entre letras surdas e sonoras;
Predomínio da rota fonológica de leitura ou lexical equivocada - com invenções de palavras;
Escrita disgráfica, com omissões e trocas de letras recorrentes.


Fonte: Protocolo de Investigação Neurolinguística - Renata Jardini e Lydia S. Ribeiro Ruiz
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