quarta-feira, janeiro 09, 2013

A EDUCAÇÃO INFANTIL E O PROCESSO DE ADAPTAÇÃO


Toda criança, seja qual for sua história e sua idade, terá que enfrentar o primeiro dia de aula e esta experiência acarreta ansiedade e insegurança. Afastar-se do aconchego do lar e enfrentar o desconhecido significa um grande salto na vida de qualquer criança. O ingresso na Educação Infantil e na vida escolar representa um passo muito grande em direção à independência. Esta é uma fase que exigirá um período de adaptação. Quando falamos em adaptação devemos considerar que sempre que enfrentamos uma situação nova, esse processo se desencadeia. O processo de adaptação, portanto, inicia com o nascimento, nos acompanha no decorrer de toda a vida e ressurge a cada nova situação que vivenciamos.
A adaptação antecede a ida da criança à escola: surge como acenos de pensamentos que vão se fazendo presentes até sermos tomados pela ideia e impulsionados à ação. A adaptação escolar é um processo que vai exigir tanto da criança que busca adequar-se a essa nova realidade social e de seus pais, quanto do educador e da instituição que precisa se preparar para recebê-la. Para propiciar tranquilidade à criança no processo de adaptação, de acordo com Felipe (2001), é fundamental que os pais estejam seguros.  Assim, é oportuno que a escola da primeira infância mantenha uma relação de parceria com pais ou responsáveis, e na medida do possível é importante que estes estejam disponíveis e presentes fortalecendo a relação da criança com seu professor.  10086
Para Balaban (1988), é necessário tempo para que essa criança apreenda toda a nova situação que está vivenciando, seja a característica desse novo adulto, o professor, ou dessa nova instituição, rotina e ambiente. 
Cada instituição de Educação Infantil deve planejar-se para esse processo de adaptação de acordo com as concepções de educação e da criança que direcionam sua prática. Cada instituição tem a sua realidade específica. A função da escola da primeira infância e dos profissionais que nela atuam é receber a criança e para isso é necessário um trabalho cuidadosamente planejado. A instituição deve causar boa impressão, apresentar-se como um ambiente seguro, com um espaço que propicie o desenvolvimento e uma aprendizagem significativa. 
Nesse contexto, a organização da sala-ambiente requer duas preocupações fundamentais, segundo Rizzo (1986, p.314), “a primeira de constituir-se em ambiente atraente, agradável, estimulador da curiosidade exploratória, característica da criança. A segunda, de estar de tal forma organizada, que possibilite à criança aprender a “usá-la” facilmente para que se sinta segura dentro dela”. 
Nessa dinâmica organizacional Balaban (1988) orienta que antes do início das aulas, sejam organizadas reuniões coletivas e individuais com os pais, para a instituição educativa expor aos mesmos a sua proposta pedagógica, os seus objetivos, explicando-lhes como se dá esse processo de adaptação, enfatizando que esse momento merece uma atenção especial.
Sendo assim, estabelece uma relação de confiança, afetividade e amizade entre escola e família. 
A organização do ambiente escolar, a preparação dos profissionais que irão lidar com essas crianças e os familiares é de fundamental importância para que a efetivação da adaptação à vida escolar seja um momento positivo nos aspectos enfocados. O planejamento, desde o conhecer dessa criança, através de entrevistas e questionários destinados às famílias, à organização de atividades e do próprio espaço pelo qual a criança está inserida ou vai se inserir merece cuidado.  Para que ocorra uma adaptação significativa da criança é necessário que a instituição escolar fundamente-se teoricamente acerca do assunto e organize-se para receber as novas crianças, sabendo que junto a elas receberá também seus pais e/ou responsáveis. O professor é o principal mediador e tem que atender as expectativas dos pais, ganhar a confiança das crianças e de seus familiares e ainda, conduzir esse processo, além de trabalhar seus próprios sentimentos. Estarão sendo postos o tempo todo à prova e é necessário sempre ampliar e capacitar os seus conhecimentos.  
O processo de adaptação tem vida, ele se move de acordo com o sentimento e as percepções das pessoas nele envolvidas. O que toca o que encanta, o que prende a atenção da criança é a descoberta que fará o educador no contato com ela. Este contato é dinâmico, se dá através do olhar, do toque, do tom de voz, da brincadeira e da imaginação que aparece sempre vestida de faz-de-conta.
Participar do processo de adaptação é estar implicado nele, é contagiar-se com a emoção que a interação com a criança proporciona. Segundo Dantas (1994), por ser a criança essencialmente emotiva e esta emotividade tendo tendências a propagar-se, o contato com a criança faz com que o adulto permaneça exposto ao contágio emocional.
Criar um clima propício para a aproximação não é tão simples. É preciso um olhar cuidadoso e atento para perceber o que aproxima as crianças. Esse tipo de ação contribui para a consolidação de vínculos afetivos e de vivência.  Nesses casos, o que está em jogo é o exercício da convivência, são as pequenas ações que fazem prevalecer à comunhão de uns com os outros, a socialização, enfim a efetivação do processo de adaptação de sucesso.

fonte: http://www.pucpr.br/eventos/educere/educere2009/anais/pdf/2496_1090.pdf
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