segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Reeducação da Letra - Exercícios de Aperfeiçoamento

Exercícios de Aperfeiçoamento

O aperfeiçoamento da escrita tende a compensar os défices na mesma, na medida em que se pretende melhorar os fatores funcionais que afetam o ato de escrever. Deste modo apresentam-se alguns recursos e exercícios que poderão ser úteis neste domínio.

a) Pautas

- Lisa unilineal: permite à criança apoiar corretamente a escrita, mas não dá resposta aos problemas de dimensão ou espaçamento.

- Lisa de duas linhas: as letras baixas são adequadamente situadas entre duas linhas, o que compensa parcialmente o problema das dimensão das letras.

- Quadriculdada: permite adequar a escrita em termos de dimensão e espacialização. Convém utilizar quadrículas grandes para que a criança não tenha de fazer um esforço perceptivo suplementar e desnecessário.


b) Exercícios de Aperfeiçoamento

- Transtornos da inclinação
  • Desenhar linhas paralelas.
  • Desenhar ondas e linhas rectas paralelas.
  • Recortar tiras de papel paralelas.
  • Numa folha de papel desenhar pontos em ambos os extremos que a criança deve unir. Realizar também atividades de escrita procurando terminar em locais adequados.


- Transtornos de proporção

O uso de pautas quadriculadas pode corrigir os transtornos de dimensão das letras. Deve-se dar à criança algumas orientações: as letras ascendentes ou descendentes ocupam três quadrados, as letras baixas apenas uma.


- Transtornos de ligação entre entre letras
  • Exercícios de reaprendizagem da forma das letras.
  • Exercícios de repassar palavras e frases sem levantar o lápis.
  • Pôr palavras com letras separadas para que a criança as una de forma correta.

- Transtornos de Espaçamento

O uso de pautas quadriculadas com o estabelecimento de deixar três quadriculas entre as palavras pode ajudar na homogeneidade do espaçamento.



 c) Controle dos movimentos que acompanham o grafismo

- Posição do corpo

Durante a escrita, o corpo tem de permanecer paralelo à mesa evitando que se forme um ângulo com esta, uma vez que isso obriga a rodar os ombros para escrever. As costas devem estar apoiadas nas costas da cadeira e só a zona dorsal formará um ligeiro ângulo com o bordo da mesa.

- Posição da mão

Posições incorretas frequentes na disgrafia:

  • Suporte múltiplo: o lápis é segurado com a colocação de dedo polegar por cima do mesmo. Desta forma, a mão cansa-se mais, uma vez que o dedo polegar tem uma função de suporte e ao colocar-se em cima do lápis atrasa a escrita e provoca sensações dolorosas ou de fadiga na mão.
  • Crispação dos dedos: a crispação é a flexão excessiva de um ou vários dedos durante a escrita, o que gera sensações desagradáveis e paragens durante a escrita. Os exercícios de relaxação, educação do gesto manual e digital e coordenação visuomotora ajudam a que desapeça a crispação.
  • Posição de varrimento: inadequada postura do ângulo que forma a mão ao escrever com o papel. É mais comum entre esquerdinos, mas também acontece nos dextros. Esta posição leva a fatigabilidade e sensações dolorosas do pulso. é aconselhável a relaxação segmentar e prestar atenção á inclinação do papel.
  • Posição empunhada: a criança    segura o lápis na intersecção ou buraco formado pelos dedos indicador e polegar. Esta posição obriga a criança a uma postura crispada e fatigosa, assim como a um suporte insuficiente do lápis. Progressivamente a criança deve ser ensinada a utilizar a pinça fina (indicador, polegar e médio).

d) Posição do papel

À medida que a criança cresce o papel vai-se separando da posição vertical criando-se um ângulo cada vez maior entre a mesa e a posição do papel. O ângulo de inclinação aumenta progressivamente ao longo dos anos (nos adultos é de 30 º). Do mesmo modo, a criança tende a proximar o papel em direcção ao hemicorpo da mão que escreve. Determinadas posturas provocam alterações no grafismo (ângulo inadequado, movimentos persistentes). Convém realizar exercícios em que a criança possa aprender a escrever com correta inclinação. Um exemplo é fixar o papel para impedir que a criança o mova durante a escrita.

Nota: Os exercícios de aperfeiçoamente são uma componente do método antidisgráfico de Pérez (2005) descrito no livro "La disgrafia. Concepto, diagnostico y tratamiento de los transtornos de escritura"

Reeducação da letra

A letra deficiente é o aspecto que mais se destaca na escrita disgráfica, por isso é um aspecto muito importante a ser considerado na reeducação. O trabalho deve ser desenvolvido de acordo com uma progressão que  vá do quadro para o papel.

a) Quadro
- Desenhar o modelo de cada letra olhando para o que está no quadro;
- Apagar a letra e reproduzi-la correctamente no quadro;
- Repassar as letras;
- Num espelho desenhar as letras com um marcador e depois repassá-las sucessivas vezes (desta forma evita-se a tendência da inversão de letras).

b) Sala de Psicomotricidade
- Reproduzir as letras no ar: primeiro desenha o terapeuta; depois a criança realiza o exercício e quando conhece as letras adequadamente reproduz-as no ar com os olhos fechados para as interiorizar.

- No solo desenham-se as letras e a criança caminha sobre elas. Posteriormente a criança realiza a mesma actividade sem que a letra esteja desenhada.
c) Exercícios Sensoriais
- Recortar em papel de lixa as letras e repassá-las várias vezes com os dedos. O mesmo com os olhos fechados.

-Com uma caixa de areia desenhar as letras com o dedo sobre a superfície. O mesmo com os olhos fechados.


-Reproduzir as letras com plasticina.

- O terapeuta desenha com o dedo diferentes letras na mão ou nas costas do aluno e este tem de dizer quais são.

d) No papel

- Repassar letras em tamanho grande.

-Repassar letras em tamanho pequeno.

- Copiar um modelo de cada letra.

- Desenhar as letras de memória.

-Perfurar uma letra de grande tamanho ao mesmo tempo que verbaliza o nome da letra.

 
Nota: A Reeducação da Letra é uma componente do método antidisgráfico de Pérez (2005) descrito no livro "La disgrafia. Concepto, diagnostico y tratamiento de los transtornos de escritura".

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