terça-feira, novembro 06, 2012

Roberta Pimentel - sobre vínculos familiares - não deixe de ler!!


Cordão umbilical psicológico – vínculo e orientação.

Não temos mais a base econômica e social para uma cultura que apoia a maternidade e a paternidade, precisamos alertar a nós mesmos quanto a isso, pois há cuidados essenciais na educação dos nossos filhos que devemos urgentemente colocar em prática. Comecem pela seguinte indagação: a educação dos seus filhos tem acontecido essencialmente por meio da ‘orientação de pares’? Se a resposta for positiva, retome seu posicionamento perante os filhos. Vamos entender o que é isso tudo?

O instinto das pessoas para criar os filhos é natural, ninguém faz um curso específico para se habilitar a isso, mas, no entanto, apesar de ser algo natural, como nossa sociedade tem exigido de nós um papel excessivamente extra familiar, é preciso continuamente despertar esse instinto, pois, quando menos percebemos, os desafios nos sufocam e, sem querer e sem percebermos nos afastamos dos nossos filhos.

Em muitas situações os pais ficam realmente ausentes, seja por trabalho ou viagens. Outras vezes estão muito cansados ou preocupados e, apesar da presença física, mentalmente, se não se policiam, ficam ausentes também.

Educar os filhos para um amadurecimento emocional saudável não é tarefa nada fácil, muitos já sabem disso. É preciso esforço e dedicação dia após dia, desafio após desafio. Aqui estão algumas colocações que poderão ajudar os pais.

Um dos grandes segredos é honrar o relacionamento com os filhos em todas as interações, e não apenas em alguns momentos. Será que é fácil? Não, claro que não. Quando os pais explodem, se irritam com os filhos de forma excessiva, perdem a paciência quase todos os dias, significa que não estão honrando todas as interações. Pais em fase avançada de amadurecimento, conseguem manter a postura firme mesmo diante de grandes desafios com os filhos. Eles mantém a autoridade, sem autoritarismo, e, dessa forma obtém melhores resultados.

Ao contrário, quando os pais ainda não estão muito maduros emocionalmente e bem trabalhados no desafio de educar os filhos, os arrependimentos são bem constantes. Se você tem se arrependido com certa frequência por algumas atitudes tomadas em família, cuidado, provavelmente esteja precisando mudar algumas coisas dentro de você para que consiga agir melhor, sem se arrepender. É preciso reavaliar-se, buscar uma reflexão que priorize mudanças verdadeiras, pois só com mudanças reais, nos momentos de crise, é que poderemos perceber relacionamentos estáveis, de respeito e obediência, sem a necessidade do autoritarismo. Mais para frente abordarei sugestões e reflexões para ajudar a subsidiar essas situações, por isso, atenção para as frases em negrito!

Os pais, em sua grande maioria, amam incondicionalmente seus filhos, mas, essa habilidade natural parece não ser suficiente. Não basta amar os filhos, é preciso manter vínculo com eles, e não é qualquer tipo de vínculo. Não adianta achar que estar junto, ou, ficar sempre por perto é o mesmo que vínculo. Não, vínculo entre pais é perceptível quando os filhos procuram pelos pais e querem muitas vezes estar com eles, em caráter de intimidade psicológica, segurança emocional. Você sente isso nos filhos, ou, quando mais precisam  escondem as coisas de vocês? Essa reflexão é importantíssima.

Nos ambientes familiares onde o relacionamento por vínculo é real, é mais fácil colocar em prática um tipo de contexto familiar onde se consegue de fato educar. Se o vínculo não existe, se é apenas um relacionamento baseado em proximidade física, o contexto fica prejudicado e todo o processo se estabelece de forma muito desafiadora. Faça do relacionamento com seus filhos algo muito real, bem próximo, onde há espaço para diálogos de toda natureza. Ultrapassem o tipo de vinculo que se satisfaz apenas com a presença física, criar vínculos sólidos e duradouros acontece por meio de filmes que são assistidos juntos e depois ocorrem deliciosos diálogos, por meio de jogos em famílias, passeios e muito, muito diálogo, sobre topo tipo de assunto.

Os filhos educados dessa forma, conforme os exemplos acima, ficam tão nutridos emocionalmente que não sentem nenhuma necessidade de buscar a ‘orientação por pares’.

Querem entender um pouco mais? Vamos lá? Isso pode ser comparado a um ‘cordão umbilical psicológico’, vejam: se os filhos sentem nos pais o porto seguro, seu esconderijo, o ponto de decisão e a fonte de inspiração, é como se tivessem cortado o cordão físico, umbilical, no nascimento, mas o psicológico permanecerá sempre inabalável. Você consegue sentir esse cordão psicológico entre você e seus filhos? É com vocês que eles desabafam ou com os amigos? É para vocês que contam os erros, ou precisam escondê-los e você sempre se decepciona ao descobri-los? Fique atento!

Com as crianças bem pequenas, dá perceber o tipo de vínculo quando a criança tem coragem de assumir as artes que faz, e conversa bastante com os pais. Quando são mais adolescentes isso é possível perceber pelo tanto que o filho procura pelos pais e, quando procura, percebe-se a qualidade do vínculo pelo tipo de assunto que o filho tem coragem de abordar. Se eles tem nos pais o ponto de apoio, o saudável cordão umbilical psicológico, os assuntos serão os mais variados possíveis e os pais perceberão que seus filhos têm neles a fonte de orientação sobre drogas, sexo, sonhos, namoro, etc.

Você já ouviu falar em ‘orientação por pares’? Pois é, mais um tema que está no livro que estou abordando hoje, ‘Pais ocupados, filhos distantes’, vocês encontrarão mais informações no final do artigo.

Quando as crianças são pequenas imitam os colegas ao seu redor, não é verdade? Já em outra fase, os filhos adolescentes buscam nos colegas da mesma idade outro tipo de relacionamento, não imitam mais como faziam na primeira infância, mas passam a buscar as orientações sobre o que querem descobrir e entender, por meio dos colegas mais próximos, isso chama-se ‘orientação por pares’, um tipo de educação horizontal, com pessoas da mesma idade ou idade bem próxima, que é o oposto da educação vertical, entre gerações mais velhas e gerações atuais. Esse é o pior inimigo dos pais: a chamada ‘orientação por pares’. Quando os filhos não encontram nos pais o relacionamento por vínculo, com espaço necessário para uma intimidade emocionalmente saudável, é nos amigos que buscarão a substituição. Grande perigo!

Faça a melhor sedimentação possível em termos de relacionamento por vínculo enquanto seus filhos forem bem pequenos, faça isso com muita dedicação até cerca de 12 anos. Atente-se para que até essa idade o vínculo seja muito verdadeiro e íntimo. A base bem construída até essa fase diminuirá a possibilidade dos filhos necessitarem da ‘orientação por pares’.

Nós, pais, precisamos ser a orientação principal dos nossos filhos, mas essa conquista é como um grande prêmio, pois não é nem um pouco fácil, exige bastante esforço. Façam do vínculo e da orientação com seus filhos laços inseparáveis entre vocês!

Por conta da estrutura como vivemos, do tipo de sociedade em que estamos inseridos, o convívio com os filhos está comprometido. Não porque criamos isso, mas porque simplesmente aconteceu, é resultado das mudanças sociais. As crianças não estabelecem mais os vínculos com os pais como acontecia nas quatro ou cinco últimas décadas. Surgiram as avós que ficam com as crianças enquanto os pais trabalham, as babás ou instituições escolares. Isso não altera a forma  de vínculo entre pais e filhos lá na primeira infância? Altera, e muito! E é exatamente por isso que eu disse lá no início o quanto é importante nos conscientizarmos de assuntos como esse para buscarmos suprir os vazios e desafios da nossa geração.

O contato com todas as outras pessoas não é o problema, de forma alguma, o problema é que dessa maneira, naturalmente vão se desfazendo as possibilidades mais fáceis de relacionamento por vínculo, pois a presença física, nos tempos atuais diminuiu consideravelmente. Muitos pais não passam nem duas horas ao todo, por dia, junto com seus filhos, muitos saem bem cedo e voltam quando eles estão já prestes a dormir, e estou falando da presença do pai e da mãe, e não apenas de um dos dois, como era antigamente. Ou seja, outras pessoas estão orientando os filhos da atual sociedade. Concordam? Se nos conscientizarmos de que nossa presença junto a nossos filhos diminuiu e que isso demanda cuidados especiais, pronto, meio caminho já estará conquistado. Sem essa consciência, ficará mais difícil remanejar os momentos de relacionamento.

Se o tempo diminuiu, a QUALIDADE precisa aumentar consideravelmente, assim poderá ocorrer novamente o equilíbrio. Não é necessário voltar atrás, deixar de trabalhar, tirar os filhos da casa dos avós, ou das escolas infantis, o que é emergente é o resgate do vínculo, o convívio por meio de momentos verdadeiramente bem vividos, equilibrados e emocionalmente saudáveis. Todos são capazes, eu acredito, com certeza!

Esse artigo foi construído por meio do estudo do livro: ‘Pais ocupados, filhos distantes – investindo em relacionamento’, da Editora Melhoramentos.

Gostaram?

Com carinho, Roberta.
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